segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O infinito e nós.
Sete horas te escrevi que não poderia ser o melhor pra mim, meu querido. Olhei nas casas e elas me pareceram sombrias, por isso não me atrevi. Vaguei por mais lugares estranhos e ermos e eles não eram apropriados pra nós. Para nós, apenas um lugar poderia sustentar por alguns minutos as longas horas de amores guardados: o infinito. Se esse lugar existir, onde ele existir, de que modo existir, eu estarei lá, para sempre te esperando. O infinito nos hospedará por alguns minutos e esses minutos serão eternos, por causa do lugar que nos abriga. Horas, minutos, segundos, milésimos, tudo isso não terá nenhum significado. Onde quer que esteja o infinito, lá estarei eu e lá estaremos nós a nos perpetuarmos lancinantemente. Por isso somos mortais, para que possamos ter a oportunidade de nos tornarmos eternos. Por isso não me encontre onde eu te escreví cinco horas. O amor aqui, dessa maneira, jamais poderá acontecer.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A noite
é uma companheira e tanto. Não sei porque, quando dá de madrugada, parece que os meus neurônios querem funcionar mais rápido do que o normal. Eu passo a madrugada inteira "escrevendo" coisas na minha cabeça, criando textos lindíssimos, que na hora que dá o dia, que eu vou começar a escrevê-los, não saem com a mesma fluidez da madrugada.
Ontem, eu fiquei pensando na beleza. E nos seres apaixonantes e nos apaixonáveis. Eu pensei que há uma diferença entre esses dois tipos de gentes. Os apaixonantes seriam aqueles por quem se apaixonam muito fácil e os apaixonáveis seriam aqueles se apaixonam muito fácil ou por muito pouco. Por exemplo, pela beleza. Se apaixonar pela beleza é ser apaixonar muito fácil, porque a beleza é óbvia e evidente, só precisa-se de um olhar pra descobrí-la. E também é apaixonar-se por pouco, já que a beleza, apesar de grandiosa, é apenas uma coisa dentre tantas outras que podem levar uma pessoa a se apaixonar por outra.
Eu tenho um tio que é muito parecido comigo, quando se trata de pensar sobre as coisas. Uma vez estávamos conversando e ele me olhou e disse, com uma sinceridade que me desconcertou: "Você é perigosa, menina!" e eu perguntei porque. Ele me falou que era porque eu sou bonita e mulheres bonitas são perigosas. Eu era mais nova e isso me assustou um pouco, não porque eu não tivesse entendido o sentido do que ele me dizia, mas quando eu propus morar com a minha tia na capital, e ela não aceitou e me deu um monte de desculpas esfarrapadas pra isso, a fala do meu tio ecoou bem fundo na minha cabeça. Uma semana depois, ela revelou o real motivo pro meu pai de que era por causa do marido dela, um cara altamente apaixonável.
Ontem, eu fiquei pensando na beleza. E nos seres apaixonantes e nos apaixonáveis. Eu pensei que há uma diferença entre esses dois tipos de gentes. Os apaixonantes seriam aqueles por quem se apaixonam muito fácil e os apaixonáveis seriam aqueles se apaixonam muito fácil ou por muito pouco. Por exemplo, pela beleza. Se apaixonar pela beleza é ser apaixonar muito fácil, porque a beleza é óbvia e evidente, só precisa-se de um olhar pra descobrí-la. E também é apaixonar-se por pouco, já que a beleza, apesar de grandiosa, é apenas uma coisa dentre tantas outras que podem levar uma pessoa a se apaixonar por outra.
Eu tenho um tio que é muito parecido comigo, quando se trata de pensar sobre as coisas. Uma vez estávamos conversando e ele me olhou e disse, com uma sinceridade que me desconcertou: "Você é perigosa, menina!" e eu perguntei porque. Ele me falou que era porque eu sou bonita e mulheres bonitas são perigosas. Eu era mais nova e isso me assustou um pouco, não porque eu não tivesse entendido o sentido do que ele me dizia, mas quando eu propus morar com a minha tia na capital, e ela não aceitou e me deu um monte de desculpas esfarrapadas pra isso, a fala do meu tio ecoou bem fundo na minha cabeça. Uma semana depois, ela revelou o real motivo pro meu pai de que era por causa do marido dela, um cara altamente apaixonável.
sábado, 3 de julho de 2010
O que é maior que dois
Num rompante, se despe por inteira. Não. Ainda não está por inteira. Ainda carrega no rosto sombra e um batom muito vermelho que faz com que seus lábios ressecados tenham um aspecto febril de que estão jorrando sangue. Tranca a porta com duas voltas na chave, ouve o barulho de um simples ventilador.
A noite está inesperadamente fria. O banho que tomou com água gelada faz com que todos os seus pêlos fiquem eretos. Ela não se enxuga, deixa a água correr e formar gotas que deslizarão suaves por suas curvas. Nota aí uma sensualidade que ninguém vê, é dela e apenas a ela pertence. Nesse momento, o desejo mostra-se e ela sente no seu secreto, uma ansiedade para o desconhecido.
O ventilador que é ligado no último grau quase fere o seu corpo. Enrijece-a e a quebra por dentro. E mesmo isso ela deseja. Vê nesse pequeno flagelo uma beleza. É para ela treinar seu corpo para pequenos invernos, resistir-se a si mesma, sentir a sensação do quase impossível na pele.
Segue a curva que é formada pelo seu seio, desce pela barriga e que se finda na virilha. Já não é ela mesma quem está ali, mas uma outra que se apossa e não tem medo de nada, nem de si mesma. Imagina a vastidão que se pode ter em tão delgado corpo e em suas falanges se encontram a passagem para a explosão ensaiada do êxtase.
O livro está aberto em uma página qualquer. Ela o nota e ri-se dessas travessuras que esse ser supremo lhe prega ao seu bel prazer. A vida, a quem não ensinaram os nãos, simplesmente atestara o seu estado: “(...) viver na verdade, não mentir nem a si próprio nem aos outros, só é possível se não houver público nenhum.”
Depois do riso, o ventilador pode então descansar. Olha o relógio e são três da madrugada. Lembra-se que na imensidão de uma noite são sempre três da madrugada.
A noite está inesperadamente fria. O banho que tomou com água gelada faz com que todos os seus pêlos fiquem eretos. Ela não se enxuga, deixa a água correr e formar gotas que deslizarão suaves por suas curvas. Nota aí uma sensualidade que ninguém vê, é dela e apenas a ela pertence. Nesse momento, o desejo mostra-se e ela sente no seu secreto, uma ansiedade para o desconhecido.
O ventilador que é ligado no último grau quase fere o seu corpo. Enrijece-a e a quebra por dentro. E mesmo isso ela deseja. Vê nesse pequeno flagelo uma beleza. É para ela treinar seu corpo para pequenos invernos, resistir-se a si mesma, sentir a sensação do quase impossível na pele.
Segue a curva que é formada pelo seu seio, desce pela barriga e que se finda na virilha. Já não é ela mesma quem está ali, mas uma outra que se apossa e não tem medo de nada, nem de si mesma. Imagina a vastidão que se pode ter em tão delgado corpo e em suas falanges se encontram a passagem para a explosão ensaiada do êxtase.
O livro está aberto em uma página qualquer. Ela o nota e ri-se dessas travessuras que esse ser supremo lhe prega ao seu bel prazer. A vida, a quem não ensinaram os nãos, simplesmente atestara o seu estado: “(...) viver na verdade, não mentir nem a si próprio nem aos outros, só é possível se não houver público nenhum.”
Depois do riso, o ventilador pode então descansar. Olha o relógio e são três da madrugada. Lembra-se que na imensidão de uma noite são sempre três da madrugada.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
ADORO PAU MOLE - MARIA REZENDE

Adoro pau mole.
Assim mesmo.
Não bebo mate
não gosto de água de coco
não ando de bicicleta
não vi ET
e a-d-o-r-o pau mole.
Adoro pau mole
pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.
Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade
que eu prezo e quero, sempre.
Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente
- ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.
Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.
É dentro dele,
em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.
sábado, 19 de junho de 2010
Poema privado.
Em certos momentos insanos
é que nos damos a conhecer
a crueza de nossas palavras
que vêm para desdizer
tudo o que outrora se disse
e tudo o que se pensou
disse, portanto e ferí
ferí quem não magoou
se irou-me por um tempo
no outro só deu compaixão
por isso te peço, amigo
que me dê o seu perdão.
se quebras a testa ou a venta
com isso eu tenho a ver
por que com raiva fico
da dor que se deixou doer
mas se com raiva fico
não posso te maltratar
agora és um ferido
do chifre tem que cuidar.
Se pra você que lê agora
este meu poema imbecil
e não entendeu nada
vá torcer pelo Brasil
que aqui só é uma amiga
que tem a boca grande demais
e tudo por causa da formiga
que a carregue o satanás
Júnior, não mate mais formigas
largando a venta no chão
eu não sou tua mãe
mas tu me mata de preocupação
vai fazer um filme
vai estudar
que se tu tacar o chifre na quina do puff de novo
e não prometo não te xingar
E findamos assim
a nossa conversação
se tu não me ligar em dez minutos
eu te passou outro carão.
=D
é que nos damos a conhecer
a crueza de nossas palavras
que vêm para desdizer
tudo o que outrora se disse
e tudo o que se pensou
disse, portanto e ferí
ferí quem não magoou
se irou-me por um tempo
no outro só deu compaixão
por isso te peço, amigo
que me dê o seu perdão.
se quebras a testa ou a venta
com isso eu tenho a ver
por que com raiva fico
da dor que se deixou doer
mas se com raiva fico
não posso te maltratar
agora és um ferido
do chifre tem que cuidar.
Se pra você que lê agora
este meu poema imbecil
e não entendeu nada
vá torcer pelo Brasil
que aqui só é uma amiga
que tem a boca grande demais
e tudo por causa da formiga
que a carregue o satanás
Júnior, não mate mais formigas
largando a venta no chão
eu não sou tua mãe
mas tu me mata de preocupação
vai fazer um filme
vai estudar
que se tu tacar o chifre na quina do puff de novo
e não prometo não te xingar
E findamos assim
a nossa conversação
se tu não me ligar em dez minutos
eu te passou outro carão.
=D
terça-feira, 13 de abril de 2010
Devo confessar
Porque me sinto latanhada pelas unhas de um amor mal curado, que me persegue e há de me perseguir até os dias findos da minha vida, é que choro sem lágrimas nesse momento. Porque não há, em nenhum outro lugar, alguém que me diga que isso irá passar e me mostre com uma certeza absoluta de que não está enganado.
Enquanto choro, ele vive, ama, goza e eu vivo, choro e gozo a dor. Apenas a dor.
Enfeitiçou-me como um homem que me olhou profundamente às cinco da tarde de um dia que eu achei que fosse não terminar. Justamente por que ele era aquele homem, que atravessou o meu caminho e não saiu do meio para que outros ocupassem esse mesmo lugar. Atolou-se na lama de minhas lamúrias, aninhou-se no ventre de minhas angústias e apossou-se do órgão que controla o amor: o meu cérebro.
Que Deus abençoe a minha noite, para que possa dormir em paz. E que mais uma vez, possa ver o dia para ter de amá-lo tudo de novo. Porque se já não sai mais da minha vida, já não sei mais ser possível a vida sem a sua sombra.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Conheceu-se
A cada dia, uma lembrança nova surgia. Ela não imaginou que seu nome não era o que lhe haviam dito. Levantou, pisou os pés descalços no chão frio e uma voz que ela não sabia de onde avisava-a pra que se calçasse. "Pisar no chão com o corpo quente deixa a boca torta!", ouviu.
Uma sensação de familiaridade a tocou e ela sentou no colchão sem capa que tinham dado a ela. Andressa olhou em volta e não reconheceu o seu passado dentro daquele quarto recém rebocado. Pensou que poderia ser tudo um sonho. Olhar pra trás e ver que tudo não passou de um sonho é realmente um sonho, às vezes.
De repente, como que num passe de mágica, o coração voltou a fazer o que teimava há 7 anos. Bater descompassadamente enquanto um frio intenso subia pela sua espinha. Era o retorno do desespero. A garota deitou-se de novo e não pediu ajuda pra ninguém. Aquela seria a última vez na vida em que sentiria aquilo. Seria a última vez que esperava passar, sabendo que voltaria. Isso era a única coisa que ela ainda sabia das velhas reminiscências.
Andou até a cozinha, pegou uma faquinha de mesa, ainda suja de margarina. Lavou-a, mesmo entendendo que não havia sentido em se preocupar com a higiene naquele momento, mas seu instinto nunca deixou que fosse tão porquinha.
Com ódio e com uma profunda tristeza, decidiu apulanhar o seu coração, para que parasse à força. Olhou primeiro pra todos os lados e não havia ninguém daquela família que a acolhera, quando acordou numa avenida movimentada em noite de temporal, suja, com a testa sangrando e trêmula.
Apenas nesse momento, quando a decisão foi tomada, ela fechou os olhos e como sabia que o que a esperava era o descanso eterno, não tesou os músculos, mas relaxou-os inadvertidamente. Foi aí que sentiu que toda ela era agora serena e que o coração parava de bater agressivamente, e passava a bater como numa tarde dormida em uma rede na varanda da casa, com o céu azul e com um vento tranquilo.
A partir daí, abriu os olhos suavemente, tomou consciência de que a vida ainda era possível mesmo assim. Tentou ver onde teve início a sensação ruim e lembrou: quando estava andando à cavalo, na fazenda de um senhor de cabelos brancos. E lembrou que o senhor de cabelos brancos se chamava Augusto e era muito gentil. E lembrou que Augusto tinha um filho chamado Alberto que era muito valente. E lembrou que Alberto criava uma menina muito feliz chamada Manoela e logo se viu num espelho.
Já o coração retornava às batidas fortes, que não eram certeza de morte, mas sim uma profunda certeza de vida. Formigava o seu corpo esbelto dos pés à cabeça, sabendo que agora tinha mais uma razão pra viver e viu também, que mesmo que não tivesse descoberto que ainda tinha essa razão pra viver, ainda assim viveria, pois ao ser humano só cabe viver.
Forçou-se a encontrar a saída. A cozinha já estava cheia de luz, o sol já tinha raiado. Pegou o telefone e digitou aqueles oito números que vieram à cabeça. Uma voz feminina amargurada respondeu e ela já tinha ouvido aquela voz. "Peraí, é a mesma que me disse pra calçar os chinelos!"
Sim, era sua mãe que também se forçava a viver desde que Manoela sumiu no mundo pra nunca mais.
O nunca é sempre demais. O amor e o desejo de viver também. No final das contas, nós é que escolhemos qual das opções queremos pra nós. Se a vida, nos momentos maus, parece nada mais que um punhado de sofrimentos, ela ainda costuma ser maravilhosa e imprevisível. Ainda vale a pena tentar.
Uma sensação de familiaridade a tocou e ela sentou no colchão sem capa que tinham dado a ela. Andressa olhou em volta e não reconheceu o seu passado dentro daquele quarto recém rebocado. Pensou que poderia ser tudo um sonho. Olhar pra trás e ver que tudo não passou de um sonho é realmente um sonho, às vezes.
De repente, como que num passe de mágica, o coração voltou a fazer o que teimava há 7 anos. Bater descompassadamente enquanto um frio intenso subia pela sua espinha. Era o retorno do desespero. A garota deitou-se de novo e não pediu ajuda pra ninguém. Aquela seria a última vez na vida em que sentiria aquilo. Seria a última vez que esperava passar, sabendo que voltaria. Isso era a única coisa que ela ainda sabia das velhas reminiscências.
Andou até a cozinha, pegou uma faquinha de mesa, ainda suja de margarina. Lavou-a, mesmo entendendo que não havia sentido em se preocupar com a higiene naquele momento, mas seu instinto nunca deixou que fosse tão porquinha.
Com ódio e com uma profunda tristeza, decidiu apulanhar o seu coração, para que parasse à força. Olhou primeiro pra todos os lados e não havia ninguém daquela família que a acolhera, quando acordou numa avenida movimentada em noite de temporal, suja, com a testa sangrando e trêmula.
Apenas nesse momento, quando a decisão foi tomada, ela fechou os olhos e como sabia que o que a esperava era o descanso eterno, não tesou os músculos, mas relaxou-os inadvertidamente. Foi aí que sentiu que toda ela era agora serena e que o coração parava de bater agressivamente, e passava a bater como numa tarde dormida em uma rede na varanda da casa, com o céu azul e com um vento tranquilo.
A partir daí, abriu os olhos suavemente, tomou consciência de que a vida ainda era possível mesmo assim. Tentou ver onde teve início a sensação ruim e lembrou: quando estava andando à cavalo, na fazenda de um senhor de cabelos brancos. E lembrou que o senhor de cabelos brancos se chamava Augusto e era muito gentil. E lembrou que Augusto tinha um filho chamado Alberto que era muito valente. E lembrou que Alberto criava uma menina muito feliz chamada Manoela e logo se viu num espelho.
Já o coração retornava às batidas fortes, que não eram certeza de morte, mas sim uma profunda certeza de vida. Formigava o seu corpo esbelto dos pés à cabeça, sabendo que agora tinha mais uma razão pra viver e viu também, que mesmo que não tivesse descoberto que ainda tinha essa razão pra viver, ainda assim viveria, pois ao ser humano só cabe viver.
Forçou-se a encontrar a saída. A cozinha já estava cheia de luz, o sol já tinha raiado. Pegou o telefone e digitou aqueles oito números que vieram à cabeça. Uma voz feminina amargurada respondeu e ela já tinha ouvido aquela voz. "Peraí, é a mesma que me disse pra calçar os chinelos!"
Sim, era sua mãe que também se forçava a viver desde que Manoela sumiu no mundo pra nunca mais.
O nunca é sempre demais. O amor e o desejo de viver também. No final das contas, nós é que escolhemos qual das opções queremos pra nós. Se a vida, nos momentos maus, parece nada mais que um punhado de sofrimentos, ela ainda costuma ser maravilhosa e imprevisível. Ainda vale a pena tentar.
sexta-feira, 26 de março de 2010
A música da vez
Iris - The goo goo dolls
E eu desistiria da eternidade para tocá-la
Pois eu sei que você me sente de alguma maneira
Você é o mais perto do paraíso do que eu jamais estarei
E eu não quero ir para casa agora
E tudo que eu sinto é este momento
E tudo que eu respiro é a sua vida
Porque mais cedo ou mais tarde isso irá acabar
e eu não quero sentir a sua falta essa noite
E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acho que eles entenderiam
Quando tudo é feito para ser quebrado
Eu só quero que você saiba quem eu sou
E você não pode lutar contra as lágrimas que não estão vindo
Ou o momento da verdade em suas mentiras
Quando tudo parece como nos filmes
É, você sangra só para saber que está vivo
E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acho que eles entenderiam
Quando tudo é feito para ser quebrado
Eu só quero que você saiba quem eu sou
domingo, 21 de março de 2010
Uma constatação
"Porque por mais que o tempo passe, por mais que eu não o veja, por mais que o mundo mude e nós próprios mudemos, ele é o homem que me habita, não tem jeito." (eu, como sempre, nos cadernos avulsos de toda noite.)
O que se passa nas minhas entranhas nesse momento é a certeza de que o que se vai, também sofre desesperadamente. Mas o que fica sofre mais.
Eu sou a que fui. Estou no lugar de onde ele veio. Agora a visão dele me perturba a todo o tempo, me chamando pra algum lugar do passado que eu não sei mais voltar. Saber que ele é uma certeza me dói.
Eu amo de uma forma, que só de saber que piso agora onde ele pisou, me causa euforia. Eu sou feliz só por saber que ele existe. Isso não é o suficiente, mas já me basta.
O que se passa nas minhas entranhas nesse momento é a certeza de que o que se vai, também sofre desesperadamente. Mas o que fica sofre mais.
Eu sou a que fui. Estou no lugar de onde ele veio. Agora a visão dele me perturba a todo o tempo, me chamando pra algum lugar do passado que eu não sei mais voltar. Saber que ele é uma certeza me dói.
Eu amo de uma forma, que só de saber que piso agora onde ele pisou, me causa euforia. Eu sou feliz só por saber que ele existe. Isso não é o suficiente, mas já me basta.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Como a vida mudou
Mudou demais. Moro agora em Teresina no Piauí. Curso o curso que sempre quis. Não estou doente, nem só, nem infeliz.
Porra! Pra falar a verdade, eu tô é feliz pra caraleo.
Eu disse que por você eu conseguiria. Pois é, você não sabe que eu disse isso, mas eu disse, há algum tempo atrás. A vida mudou pra mim e só agora eu posso dizer isso.
=D
Porra! Pra falar a verdade, eu tô é feliz pra caraleo.
Eu disse que por você eu conseguiria. Pois é, você não sabe que eu disse isso, mas eu disse, há algum tempo atrás. A vida mudou pra mim e só agora eu posso dizer isso.
=D
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Sabe o cachorrinho que corre atrás do carro?
Corre, corre, corre e claro, nunca alcança o carro. Só que um dia um desses carros para. E o cachorrinho pensa: "Mas o que... !?!?" e fica parado, tentando pensar no que fazer a partir de agora.
Dia 5 eu soube da notícia que espero desde os 15 anos. Quando sugerí a uma amiga, que em dúvida da profissão que iria seguir, me perguntou se eu sabia de alguma profissão em que você poderia conhecer muitas pessoas, viajar muito e tal... E eu, martelando com meus botões, respondí, triunfante: "Porque tu não vira Jornalista?". Mal sabia que aquela resposta para aquela pergunta era resposta pras minhas próprias.
Desde então, quis ser Jornalista. Lembro muito bem que o meu sonho profissional anterior era de fazer parte da esquadrilha da fumaça do Brasil (!). Mas quando parei pra pensar que eu tenho medo de altura, entre outros empecilhos, ví que Jornalismo era para o que eu tinha sido feita. Uma vocação, um dom, alguma coisa do tipo.
Desde essa época também, tive bastante trabalho pra convencer os meus pais que eu não seria médica. Nem advogada, nem fisioterapeuta, nem enfermeira, nem nada. Eu seria jornalista e eles teriam que aceitar. Quem foi que mandou me incentivarem a paixão pela leitura e a consequente pela escrita?
Em 2006, eu estava prestes a completar 16 anos. Novinha ainda, uma criança, arrisco dizer. Sobreveio sobre mim a maior tempestade que já enfrentei nessa ainda curta vida: Síndrome do Pânico. Não tenho intenção de descrever aqui o sofrimento que é. No entanto, isso marcou minha vida de tal maneira que hoje, quase 4 anos depois, vejo meu coração contrito por causa dos desafios que agora a vida me colocou na frente.
Moro nessa em Bacabal (MA), desde que me entendo por gente e alguma coisa dentro de mim, dizia que o meu futuro não estaria aqui. Sonhei bastante com esse dia, com a alegria que seria, com as saudades que eu sentiria. Em suma: eu sabia que não seria fácil. Mas eu não achei que seria tão difícil.
Pra quem não sabe sobre a Síndrome, uma das características é a ansiedade descontrolada. O que gera o medo. E só o fato de eu pensar que posso ter uma crise por conta do medo, tenho mais medo. Bola de neve, saca? Ainda bem que eu seguí um tratamento rigoroso e ao contrário das minhas expectativas de 2006, que eram apenas que eu não sobreviveria pra ver o 2007, hoje eu levo uma vida normal.
Assim, pude concluir o Ensino Médio, dar risadas, fazer novos amigos e o mais importante de tudo: enxergar um amanhã livre! Assim, não tive dúvidas de colocar o curso pra uma cidade muito longe, onde não tenho parentes, não conheço nada, nunca pisei na vida. Eu estava com uma coragem absurda, absurda mesmo, que mesmo com os parentes falando de todas as dificuldades, eu dizia: "Eu posso superar!"
E ainda continuo achando que posso. No entanto, meu coração está pesado demais. Penso em como vai ser lá sem minha mãe, meu pai, meu irmão, minha avó querida... Em como vai ser se eu tiver uma crise por lá, sem ninguém pra me socorrer. Eu sei que eu só estou pensando nas dificuldades, e não estou pensando no que aquela cidade me reserva de bom.
Não quero desistir. Não quero mesmo. Estou fazendo de tudo pra me forçar a rasgar a "razão" do meu desespero e partir em paz.
Ontem lí uma coisa que me deu um pouco mais de força: "Pessoas sofridas são perigosas, diz alguém... São perigosas porque sabem que podem sobreviver." (daqui)
Corrí, corrí atrás de um sonho e quando ele finalmente se apresenta possível, eu fico como fico. Mesmo que não acreditem em Deus, eu acredito. Ele vai me dar forças pra aguentar tudo, firme e forte.
Eu posso. Eu já pude muito mais.
Dia 5 eu soube da notícia que espero desde os 15 anos. Quando sugerí a uma amiga, que em dúvida da profissão que iria seguir, me perguntou se eu sabia de alguma profissão em que você poderia conhecer muitas pessoas, viajar muito e tal... E eu, martelando com meus botões, respondí, triunfante: "Porque tu não vira Jornalista?". Mal sabia que aquela resposta para aquela pergunta era resposta pras minhas próprias.
Desde então, quis ser Jornalista. Lembro muito bem que o meu sonho profissional anterior era de fazer parte da esquadrilha da fumaça do Brasil (!). Mas quando parei pra pensar que eu tenho medo de altura, entre outros empecilhos, ví que Jornalismo era para o que eu tinha sido feita. Uma vocação, um dom, alguma coisa do tipo.
Desde essa época também, tive bastante trabalho pra convencer os meus pais que eu não seria médica. Nem advogada, nem fisioterapeuta, nem enfermeira, nem nada. Eu seria jornalista e eles teriam que aceitar. Quem foi que mandou me incentivarem a paixão pela leitura e a consequente pela escrita?
Em 2006, eu estava prestes a completar 16 anos. Novinha ainda, uma criança, arrisco dizer. Sobreveio sobre mim a maior tempestade que já enfrentei nessa ainda curta vida: Síndrome do Pânico. Não tenho intenção de descrever aqui o sofrimento que é. No entanto, isso marcou minha vida de tal maneira que hoje, quase 4 anos depois, vejo meu coração contrito por causa dos desafios que agora a vida me colocou na frente.
Moro nessa em Bacabal (MA), desde que me entendo por gente e alguma coisa dentro de mim, dizia que o meu futuro não estaria aqui. Sonhei bastante com esse dia, com a alegria que seria, com as saudades que eu sentiria. Em suma: eu sabia que não seria fácil. Mas eu não achei que seria tão difícil.
Pra quem não sabe sobre a Síndrome, uma das características é a ansiedade descontrolada. O que gera o medo. E só o fato de eu pensar que posso ter uma crise por conta do medo, tenho mais medo. Bola de neve, saca? Ainda bem que eu seguí um tratamento rigoroso e ao contrário das minhas expectativas de 2006, que eram apenas que eu não sobreviveria pra ver o 2007, hoje eu levo uma vida normal.
Assim, pude concluir o Ensino Médio, dar risadas, fazer novos amigos e o mais importante de tudo: enxergar um amanhã livre! Assim, não tive dúvidas de colocar o curso pra uma cidade muito longe, onde não tenho parentes, não conheço nada, nunca pisei na vida. Eu estava com uma coragem absurda, absurda mesmo, que mesmo com os parentes falando de todas as dificuldades, eu dizia: "Eu posso superar!"
E ainda continuo achando que posso. No entanto, meu coração está pesado demais. Penso em como vai ser lá sem minha mãe, meu pai, meu irmão, minha avó querida... Em como vai ser se eu tiver uma crise por lá, sem ninguém pra me socorrer. Eu sei que eu só estou pensando nas dificuldades, e não estou pensando no que aquela cidade me reserva de bom.
Não quero desistir. Não quero mesmo. Estou fazendo de tudo pra me forçar a rasgar a "razão" do meu desespero e partir em paz.
Ontem lí uma coisa que me deu um pouco mais de força: "Pessoas sofridas são perigosas, diz alguém... São perigosas porque sabem que podem sobreviver." (daqui)
Corrí, corrí atrás de um sonho e quando ele finalmente se apresenta possível, eu fico como fico. Mesmo que não acreditem em Deus, eu acredito. Ele vai me dar forças pra aguentar tudo, firme e forte.
Eu posso. Eu já pude muito mais.
***
Agora que pude
Agora que pude, choro o choro dos justos. Tenho orgulho da minha coragem.
2010 foi o ano "improvável" pra mim. Muito do que eu esperava da vida aconteceu e muito do que eu não esperava também. Como eu já disse, me amaram, me fuderam no pior dos sentidos e eu estou aqui. Dá vontade de abrir a janela e gritar: EEEEEUU ESTOOOU AQUIIIII, PORRAAAAAAA!
Hoje, pela noitinha, chorei ao lado de uma amiga que amo.
Dividir emoções... Em um lugar que até tão pouco tempo atrás era totalmente inóspito pra mim...
Já é 2011 e sei que mais coisas estão por vir. Estou até agora (2:35) lendo esses meus antigos textos desse tão estimado blog e lembrando coisas que escrevi nos meus cadernos sem tranca (o meu grande pecado) que eu chamava de diário. Meu Deus! Quanto de vida já passou por mim? Quanto!!!
Olho pra trás e sinto apenas o orgulho de ser quem eu sou. Olho pra frente e sinto medo - por que eu sou eu, né? - mas não me sai do juízo que tudo também há de dar certo.
Eu já falei que eu acredito numa poderosíssima instituição chamada de Vida? Pois é. Pra mim, ela é uma mulher de muitas cores, com um vestido esvoaçante. Ela é faceira, séria, puta, nojenta, sem-vergonha, amorosa, amiga. Ela é tudo. Não ensinaram os nãos pra ela. De uns tempos pra cá eu senti que ela finalmente se apresentou na sua imensidão pra mim. Não só uns pedacinhos, mas eu vi ela toda e percebi que ela é mais bela do que feia. Ela é imperfeita, assim como eu, por isso agora somos amigas, somos irmãs. Eu a agarrei e ela se entranhou em mim. Vida, sua louca, você não me escapa nunca mais!
Sinto-me feliz e realizada por ter podido. Como eu disse nesse dia que escrevi a comparação com o cachorrinho, com o coração tão pesado quanto o do Frodo pra destruir o anel, eu sabia que podia. Ia ser putaqueparilmente difícil, mas eu podia. E eu pude.
Eu já pude muito mais.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Novidades!
Eu, sem ter mais o que fazer e me lembrando que esse blog existe e deve ser lido por mais gente, coloquei o link na LP. A Vã e o Chalaça querem colaborar com o blog e tornar isso aqui um pouco mais movimentado... Porém, enquanto não arranjar uma forma de que eles façam isso por sí mesmos, eu publicarei os textos deles.
E pra começar, um texto belíssimo, que me foi enviado há alguns instantes atrás, escrito "junho do ano passado numa madrugada fria com cigarros e chocolate quente!", da Vã:
A Madrugada e eu
Todo o mundo dorme, exceto eu que apreendo o alento da noite nas curvas que tremem a caneta sobre o papel.
Escrevo sem saber por quais linhas pousam meus pensamentos. Faço anotações num escuro tentador.
A noite, as curvas e a palavra são duvidosas, o que causam em mim uma inquietaçao necessaria.
Busco os cheiros do mundo com olhos arregalados, afobados, de quem tem ansia de vida. De quem pediu e recebeu, e agora, deve crescer para assumir as rédeas do próprio destino.
O mundo dorme, a lua pendura-se pela metade, e eu escrevo letras tremidas, por estradas onde não enxergo.
Em cada letra há uma confiança solta, um descompromisso da escrita fora de linha e das curvas.
Enquanto o mundo dorme, eu firmo os olhos no escuro, assim como quem tem medo, mas não teme se deixar levar pelos buracos da estrada.
Distante do que torna tudo uniforme, eu não me preocupo com o sentido das coisas. Da escrita e do caminho só saberei amanha. Talvez ria de tudo. Talvez jogue fora. Talvez mostre a alguem. Ou até coloque no blog tornando publico, quem sabe. Por hora, colocarei a tampa na caneta. Fecharei o caderno e os olhos.
Distante de tudo que acho que é, mergulharei por inteiro na noite e repousarei com o mundo, sem pressa, sendo o que sei ser de melhor, eu mesma.
E pra começar, um texto belíssimo, que me foi enviado há alguns instantes atrás, escrito "junho do ano passado numa madrugada fria com cigarros e chocolate quente!", da Vã:
A Madrugada e eu
Todo o mundo dorme, exceto eu que apreendo o alento da noite nas curvas que tremem a caneta sobre o papel.
Escrevo sem saber por quais linhas pousam meus pensamentos. Faço anotações num escuro tentador.
A noite, as curvas e a palavra são duvidosas, o que causam em mim uma inquietaçao necessaria.
Busco os cheiros do mundo com olhos arregalados, afobados, de quem tem ansia de vida. De quem pediu e recebeu, e agora, deve crescer para assumir as rédeas do próprio destino.
O mundo dorme, a lua pendura-se pela metade, e eu escrevo letras tremidas, por estradas onde não enxergo.
Em cada letra há uma confiança solta, um descompromisso da escrita fora de linha e das curvas.
Enquanto o mundo dorme, eu firmo os olhos no escuro, assim como quem tem medo, mas não teme se deixar levar pelos buracos da estrada.
Distante do que torna tudo uniforme, eu não me preocupo com o sentido das coisas. Da escrita e do caminho só saberei amanha. Talvez ria de tudo. Talvez jogue fora. Talvez mostre a alguem. Ou até coloque no blog tornando publico, quem sabe. Por hora, colocarei a tampa na caneta. Fecharei o caderno e os olhos.
Distante de tudo que acho que é, mergulharei por inteiro na noite e repousarei com o mundo, sem pressa, sendo o que sei ser de melhor, eu mesma.
sábado, 2 de janeiro de 2010
2010 e eu
Esse ano será cheio de viradas radicais...
Termino meu curso... e por mais que eu esteja adiando isso, terei que ser uma mulher adulta ¬¬
É que ser estagiária, embora seja um trabalho com responsabilidades e tal e coisa, dá uma sensação de liberdade... Uma impressão de juventude...
Tem a convivência com as meninas da faculdade que diminuirá... A perda da minha carteira de estudante ( até a pós, ou outra graduação ou sabe-se lá)..
Muitas coisas boas tb, eu sei... Meu maninho que começará uma nova etapa...
Termino meu curso... e por mais que eu esteja adiando isso, terei que ser uma mulher adulta ¬¬
É que ser estagiária, embora seja um trabalho com responsabilidades e tal e coisa, dá uma sensação de liberdade... Uma impressão de juventude...
Tem a convivência com as meninas da faculdade que diminuirá... A perda da minha carteira de estudante ( até a pós, ou outra graduação ou sabe-se lá)..
Muitas coisas boas tb, eu sei... Meu maninho que começará uma nova etapa...
As novas e maravilhosas pessoas que eu ganhei da vida em 2009 e outras que virão em 2010 ( eu espero)...
Os planos são muitos...
Os planos são muitos...
Desde as básicas promessas de Ano Novo: emagrecer, me exercitar, ser mais organizada, ler mais...etc etc...
Até essa nova disposição em mim...
A de tomar nas minhas mãos a minha vida...
Ela me parecia meio solta, aos cuidados do acaso, de Deus ou da sorte...
Entendi um dia desses que a vida é minha e eu devo tomar conta dela, muito bem...ao que me consta eu só tenho uma!!!
Entendi um dia desses que a vida é minha e eu devo tomar conta dela, muito bem...ao que me consta eu só tenho uma!!!
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Coisas que se aprendem ocasionalmente (ou não)*
Bacabal, 25 de Outubro de 2009.
Deve ser 1:00 hr de 26.
Apesar de eu sentir-me tentada muitas vezes a acreditar no "destino", quando paro pra pensar racionalmente (sim, porque se pode pensar com a emoção também), vejo que o mesmo não existe. Bom, não é que não exista de fato. Pode até existir, mas tenho que admitir que nossas decisões são o nosso destino. Tenta-me muito mesmo pensar "que estava tudo escrito", mas não está. Não está!
Ah, outra coisa: se pode mudar. E como se pode mudar. Veja a sua vida de dez anos atrás e repare em quantas coisas mudaram desde então, tantas que você nem imaginava. E em tantos aspectos...
Muitas pessoas acham que existe uma "natureza interna" da qual não se pode fugir. Bom, não sou profunda conhecedora do ser humano, mas se existe uma boa desculpa no mundo é a que: "não pude fugir da minha natureza... Foi mais forte do que eu"!
Nunca ninguém pode saber o que teria acontecido. Só se podem fazer especulações. Existem coisas que para o conhecimento, apenas a vivência é capaz de ensinar.
Bom, como se pode mudar, não podemos dizer que algo seja eterno. Podemos supor que seja - em alguns casos, torcer - mas sempre caímos na mesma teia de nossas esperanças que nos castigam quando não se concretizam, pois poucas coisas no mundo são mais tristes do que esperar o que, simplesmente, não vai chegar. Mas ao mesmo tempo, também existem sentimentos incrustados. Pessoas incrustadas, tal flepa na carne. Coisas que dão a sensação de que não vão curar.
Também não quero dar a impressão de que tudo seja efêmero. Algumas coisas realmente duram muito, duram mesmo pra sempre, pro nosso sempre, que é até a hora derradeira. O que eu quero dizer é que não podemos simplesmente acreditar que dure. Talvez dure. Tomara que dure, mas pode não durar.
Uma pessoa me desagrada muito. Ok! Eu posso abrir a boca para dizer: "Eu não gosto dessa pessoa"! Mas não é muito sábio abrir a boca e dizer: "Eu nunca gostarei dessa pessoa"! Porque pode acontecer que se mude de ideia um dia. A vida tem uma constância tão volúvel, que o que parecia eterno pode se desfazer por causa de um sonho.
A maturidade é como um carro com os faróis virados para trás. Quando a temos, as oportunidades para usá-las já ficaram no passado e, ironicamente, por causa delas mesmo é que podemos reinvindicá-la. Não é necessariamente uma questão de idade, contudo, é óbvio que alguém que já viveu mais tempo teve mais oportunidades. Mas não são somente as experiências que nos dão-na. Em suma, é o que fazemos com elas que nos ensinam alguma coisa.
O inteligente aprende com seus erros, o sábio aprende com os dos outros. Eis o privilégio dos mais jovens! Economizar anos e anos por causa da lição contida na história da vida alheia. Infelizmente, é característica do ser humano querer ver se o fogo queima mesmo ou se é balela que os outros estão contando.
Existem pesssoas que não fazem sentido. Não se apaixone por elas!
Jamila Carvalho.
*livremente inspirado em "O Menestrel" de William Shakespeare. Óbvio, não dá pra comparar... rs
Deve ser 1:00 hr de 26.
Apesar de eu sentir-me tentada muitas vezes a acreditar no "destino", quando paro pra pensar racionalmente (sim, porque se pode pensar com a emoção também), vejo que o mesmo não existe. Bom, não é que não exista de fato. Pode até existir, mas tenho que admitir que nossas decisões são o nosso destino. Tenta-me muito mesmo pensar "que estava tudo escrito", mas não está. Não está!
Ah, outra coisa: se pode mudar. E como se pode mudar. Veja a sua vida de dez anos atrás e repare em quantas coisas mudaram desde então, tantas que você nem imaginava. E em tantos aspectos...
Muitas pessoas acham que existe uma "natureza interna" da qual não se pode fugir. Bom, não sou profunda conhecedora do ser humano, mas se existe uma boa desculpa no mundo é a que: "não pude fugir da minha natureza... Foi mais forte do que eu"!
Nunca ninguém pode saber o que teria acontecido. Só se podem fazer especulações. Existem coisas que para o conhecimento, apenas a vivência é capaz de ensinar.
Bom, como se pode mudar, não podemos dizer que algo seja eterno. Podemos supor que seja - em alguns casos, torcer - mas sempre caímos na mesma teia de nossas esperanças que nos castigam quando não se concretizam, pois poucas coisas no mundo são mais tristes do que esperar o que, simplesmente, não vai chegar. Mas ao mesmo tempo, também existem sentimentos incrustados. Pessoas incrustadas, tal flepa na carne. Coisas que dão a sensação de que não vão curar.
Também não quero dar a impressão de que tudo seja efêmero. Algumas coisas realmente duram muito, duram mesmo pra sempre, pro nosso sempre, que é até a hora derradeira. O que eu quero dizer é que não podemos simplesmente acreditar que dure. Talvez dure. Tomara que dure, mas pode não durar.
Uma pessoa me desagrada muito. Ok! Eu posso abrir a boca para dizer: "Eu não gosto dessa pessoa"! Mas não é muito sábio abrir a boca e dizer: "Eu nunca gostarei dessa pessoa"! Porque pode acontecer que se mude de ideia um dia. A vida tem uma constância tão volúvel, que o que parecia eterno pode se desfazer por causa de um sonho.
A maturidade é como um carro com os faróis virados para trás. Quando a temos, as oportunidades para usá-las já ficaram no passado e, ironicamente, por causa delas mesmo é que podemos reinvindicá-la. Não é necessariamente uma questão de idade, contudo, é óbvio que alguém que já viveu mais tempo teve mais oportunidades. Mas não são somente as experiências que nos dão-na. Em suma, é o que fazemos com elas que nos ensinam alguma coisa.
O inteligente aprende com seus erros, o sábio aprende com os dos outros. Eis o privilégio dos mais jovens! Economizar anos e anos por causa da lição contida na história da vida alheia. Infelizmente, é característica do ser humano querer ver se o fogo queima mesmo ou se é balela que os outros estão contando.
Existem pesssoas que não fazem sentido. Não se apaixone por elas!
Jamila Carvalho.
*livremente inspirado em "O Menestrel" de William Shakespeare. Óbvio, não dá pra comparar... rs
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Virtual(mente)

De onde vim? Pra onde irei? Não sei
Nada está no mesmo lugar
Meus olhos no espelho, ainda estão vermelhos
Não agüentam me ver chorar
Eu daqui, você de lá
Encontros virtuais todo dia
Já nem sei no que vai dar
Nossa paisagem nova, pop filosofia
Outra realidade pra anestesiar
Nossa viagem sem sair do lugar
Eu sei que o nosso amor ainda navega
Mas tudo que eu grito não chega aos seus ouvidos
Nada mantém o meu coração refém
Preso no espaço sideral
No abismo da rede, ondas que vão e vêm
Alimentando o amor ideal
Tudo bem, tudo igual
Novamente sem seu sorriso
Até amanhã, e ponto final
Pra ir pro paraíso, tudo que eu preciso é
De outra realidade pra anestesiar
Nossa viagem sem sair do lugar
Eu sei que o nosso amor ainda navega
Mas tudo que eu grito não chega aos seus ouvidos
Eu, numa ilha, sem balanço do mar
Mal, minhas garrafas sempre voltam pra cá
Talvez tudo vá se encaixar
Mas sei: solidão a dois, nunca mais
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Parabéns Chay!!!!

Vou falar dessa impressão que se tem na adolescência de que aos 30 anos estaríamos velhas. Nós, mulheres do século 21, ou seja, nascidas entre 75 e 85 do século PASSADO, que a essa altura do campeonato(2009) ou já estão estabelecidas ou estão se estabelecendo... Certamente, ao menos, sabem muito do muito que desejam.
Não tenho 30 anos ( estou a caminho e já vejo a pontinha da montanha no horizonte), como falar desta idade tão especial?
Ora, minha Chay está fazendo 30 aninhos hoje!!!!! \0/
E embora ela seja uma referência pra mim desde seus 22 anos, ver esta mulher, hoje uma balzaquiana, é uma honra e um prazer!
Minha amada Dandan... Sei que você sabe que a sua felicidade diária é tão importante pra mim quanto a minha...
E todo amor que dentro de mim pode haver hoje emana em sua direção com os mais fortes desejos de alegria, saúde e realizações!!!
Vamos comemorar até o fim do ano!!!!!!
domingo, 13 de setembro de 2009
Nunca te deixarei sozinho
Eu deveria mesmo não deixar que o tempo passasse, mas está passando. Eu penso que não, mas está. Coitados de nós, pobres mortais, que não temos todo o tempo do mundo... (ou seria a eternidade uma maldição?)
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Sabe aquelas situações que você vive na sua vida, e que por razões que ninguém sabe responder, ficaram marcadas? Situações incrivelmente banais, ou até mesmo com alguns resquícios de heroísmo, ou qualquer outra coisa do tipo, que não saem da sua cabeça, mesmo que se passem os anos? Então... Fiquei me lembrando delas hoje. Dentre as perguntas que me surgem quando eu penso nelas é o porquê que justamente elas, ficaram marcadas, no meio de tantas outras coisas mais importantes e mais interessantes que eu já ví.
Vou compartilhar algumas, mas não espere muita coisa, certo?
Certa vez eu estava voltando da escola com o meu pai. Isso da época que ele ainda ia deixar eu e o meu irmão na escola, de bicicleta. Em certa altura do trajeto, numa esquina de uma outra escola da cidade, tinha um pequeno aglomerado de pessoas, todas ao redor de um rapaz de seus 15, 16 anos. Ele tinha roubado uma bicicleta e o dono correu atrás dele e conseguiu pegar. Alguns populares ainda deram uns tapas no rapaz, que chorava e pedia até pelo amor de Deus pra não levarem ele pra polícia. Mas o dono da bicicleta estava irredutível e ficou segurando o rapaz até a polícia chegar.
Eu devia ter uns 11 anos. Na hora que passamos, eu olhei de longe e perguntei pro meu pai o que poderia ter sido e ele logo reconheceu o que era. Eu disse: "Éguas! Que massa!" E comecei a rir da cara do rapaz. Meu pai não riu, mas não ralhou como de costume, disse apenas que não imaginava a vergonha que aquele rapaz, claramente arrependido, deveria estar sentindo naquele momento...
Eu estudei numa mesma escola durante 11 anos. Desde o 1º período do jardim de infância, até a 8ª série. Em um recreio de algum dia de todos esses dias, eu derramei suco no uniforme de uma amiga, em plena segunda-feira, ou seja, a farda tava tinindo de limpinha. Suco de cajú ainda por cima, que deixa uma nódoa desgraçada. Na hora que o suco caiu, eu esperava até que ela fosse me delatar na secretaria, e por causa disso eu ia ser expulsa, presa, exilada, essas coisas... Ela começou foi a rir e disse que não tinha problema, ela tinha duas fardas. Talvez isso tenha me marcado tanto, porque eu acho que não teria tido essa generosidade, se fosse o contrário. Acho que essa foi uma lição de como ser alguém melhor.
Lembra da enchente desse ano, queterminou de lascar alagou o Maranhão? A minha cidade em especial... Um dia eu e alguns amigos da Universidade fomos ver o rio. No meio daquelas pessoas que estavam saindo de suas casas para os abrigos e mais outros curiosos, passou um senhor, com o olho muito vermelho, que nos viu fardados e nos parou. Dois colegas eram homens, mas nós, as mulheres, ficamos com medo. Quer dizer, todo mundo ficou com muito medo, mas os rapazes tinham uma reputação a zelar... rs
Ele falou pausadamente, como se fosse um cirurgião que tivesse que pesar a força do punho pra fazer o corte na profundidade certa: "Vocês... Vocês acham que é justo o Prefeito estar naquela casa, andando de carro importado, e nós perdermos tudo o que a gente fez durante a vida toda?"
Não, Senhor. Não acho justo e nem acho que foi culpa sua que isso tenha te acontecido. Pelo contrário, o senhor é uma vítima.
Pena que ninguém teve coragem pra responder nada. Vinha um caminhão e o homem teve que sair do meio. Acho que a cara daquele senhor vai ficar pra sempre marcada. O corte foi bem feito.
Vou compartilhar algumas, mas não espere muita coisa, certo?
Certa vez eu estava voltando da escola com o meu pai. Isso da época que ele ainda ia deixar eu e o meu irmão na escola, de bicicleta. Em certa altura do trajeto, numa esquina de uma outra escola da cidade, tinha um pequeno aglomerado de pessoas, todas ao redor de um rapaz de seus 15, 16 anos. Ele tinha roubado uma bicicleta e o dono correu atrás dele e conseguiu pegar. Alguns populares ainda deram uns tapas no rapaz, que chorava e pedia até pelo amor de Deus pra não levarem ele pra polícia. Mas o dono da bicicleta estava irredutível e ficou segurando o rapaz até a polícia chegar.
Eu devia ter uns 11 anos. Na hora que passamos, eu olhei de longe e perguntei pro meu pai o que poderia ter sido e ele logo reconheceu o que era. Eu disse: "Éguas! Que massa!" E comecei a rir da cara do rapaz. Meu pai não riu, mas não ralhou como de costume, disse apenas que não imaginava a vergonha que aquele rapaz, claramente arrependido, deveria estar sentindo naquele momento...
Eu estudei numa mesma escola durante 11 anos. Desde o 1º período do jardim de infância, até a 8ª série. Em um recreio de algum dia de todos esses dias, eu derramei suco no uniforme de uma amiga, em plena segunda-feira, ou seja, a farda tava tinindo de limpinha. Suco de cajú ainda por cima, que deixa uma nódoa desgraçada. Na hora que o suco caiu, eu esperava até que ela fosse me delatar na secretaria, e por causa disso eu ia ser expulsa, presa, exilada, essas coisas... Ela começou foi a rir e disse que não tinha problema, ela tinha duas fardas. Talvez isso tenha me marcado tanto, porque eu acho que não teria tido essa generosidade, se fosse o contrário. Acho que essa foi uma lição de como ser alguém melhor.
Lembra da enchente desse ano, que
Ele falou pausadamente, como se fosse um cirurgião que tivesse que pesar a força do punho pra fazer o corte na profundidade certa: "Vocês... Vocês acham que é justo o Prefeito estar naquela casa, andando de carro importado, e nós perdermos tudo o que a gente fez durante a vida toda?"
Não, Senhor. Não acho justo e nem acho que foi culpa sua que isso tenha te acontecido. Pelo contrário, o senhor é uma vítima.
Pena que ninguém teve coragem pra responder nada. Vinha um caminhão e o homem teve que sair do meio. Acho que a cara daquele senhor vai ficar pra sempre marcada. O corte foi bem feito.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
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Vai sim, vai ser sempre assim
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.
Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar...*
Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.
Vem, que eu ainda quero, vem.
Quando menos espero a saudade vem
E me dá essa vontade, vem
Que eu ainda sinto frio
Sem você é tudo tão vazio
Vem me dar essa vontade,
Vem que esse amor ainda é meu.
Troco todos os meus planos por um beijo seu
E essa noite pode terminar bem.
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