terça-feira, 25 de setembro de 2018

A dor e a fé

Há muito tempo eu não escrevo.

Deixei doer tudo o que havia de doer bem calada, como que pra deixar acalmar o lanho de tantos dias maus, de tanta maldade solta, de tanta miséria escorrendo das mãos e das bocas das pessoas, se acalmar no meu coração, que já não aguenta mais de tanto que pesa.

Todos nós já sabíamos que seria ruim, mas eu não imaginava que seria tão horrível. Em meu coração, os vislumbres de esperança querem amainar, por mais que eu me chame de volta à razão e saiba que eu não estou só nesse lamaçal monstruoso.

Logo eu, que já me imaginei mais forte que tudo, que já pensei que já havia sentido toda a minha cota de dor da vida, olho para o lado e vejo o chão se quebrando debaixo dos meus pés. Com um medo que não sei descrever, tenho sonhos horríveis com um futuro tenebroso, em que não só eu, como os meus, mesmo os que hoje apoiam o fascismo, são alvejados e caem mortos aos meus pés, enquanto eu não posso fazer nada, apenas ver.

Escrevo hoje, talvez, pelo único motivo de ainda poder. Não sei até quando poderemos. Mas nós lutaremos. O meu medo, hoje, transformo em força pra tentar. Transformo em coragem para não deixar vacilar. Transformo em esperança por dias melhores. Transformo em fé - até fé - que a nossa vida seguirá, e seguirá bem.

Força!


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