segunda-feira, 5 de maio de 2008




ELA

Na cama não se fala de filosofia.Peguei na mão dela, coloquei sobre meu coração, disse, meu coração é seu, depois pus sua mão sobre minha cabeça e disse, meus pensamentos são seus, moléculas do meu corpo estão impregnadas com moléculas do seu. Depois botei a mão dela no meu pau, que estava duro, disse, é seu esse pau.
Ela nada disse, me chupou, depois chupei sua boceta, ela veio por cima, fodemos, ela ficou de joelhos, rosto no travesseiro, penetrei por trás, fodemos.Fiquei deitado e ela de costas para mim sentou-se sobre o meu púbis, enfiou meu pau na boceta. Eu via meu pau entrando e saindo, via o cu rosado dela, que depois lambi. Fodemos, fodemos, fodemos. Gozei como um animal agonizando.
Ela disse, te amo, vamos viver juntos.Perguntei, não está tão bom assim? Cada um no seu canto, nos encontramos para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder. Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.
Ela respondeu que Nietzsche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva. Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.Respondi que Nietzsche era um maluco.Mas aquela conversa foi o início do fim.

Na cama não se fala de filosofia.


Rubem Fonseca, "Ela e outras mulheres”, Editoras Companhia das Letras, 174 páginas.



Tem umas coisas dele que eu, pessoa sensível que sou, não posso ler. Por exemplo, Secreções, Excreções e Desatinos, só consegui ler alguns e com muito custo...

Mas a história de ELAS foi assim... A capa do livro é verde limão e peguei pra dar uma olhada...abri o livro aleatoriamente e caiu em ELA... na hora lembrei da Chay...

Eu já tinha lido um livro dele, há muito tempo, quando ainda era muito jovem... Por não ter idade suficiente, não alcancei o livro, ou ainda, ele não me alcançou... O livro era o “ Vastas emoções e pensamentos imperfeitos”, como eu roubei esse livro ele está lá em casa aguardando o momento de ser relido... Afinal eu tinha 15 anos quando li, faz um tempinho...

sábado, 3 de maio de 2008

O amor, o sorriso, a flor


"Quem acreditou
No amor, no sorriso, na flor
Então sonhou, sonhou...
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais
Quem, no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isto se perder
E, na solidão
Procurou um caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois, a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou"


(Newton Mendonça / Tom Jobim)








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Eis um cara que pensa o amor eterno. Porém, somos perecíveis e assim fazemos perecer também as relações. Enquanto vivo, forte, pulsante e obcecado, o amor segue violentamente em busca de um novo alvo.


Hoje eu gosto dela, é ela o meu pão de cada dia, me alimento com seus sorrisos. Amanhã passo fome. Choramos aos borbotões com a perda do que acreditamos amar (afinal, como saber o que é o amor?). Só dói em quem está vivo, só quem vive sente dor.


Com um pouco de ousadia, e total falta de criatividade, começarei uma daquelas frases que já nascem mortas - aquelas que tentam definir o indefinível: O amor é uma doença que aflige os corações que batem.


E assim seguimos tateando nessa nossa roda-viva de dor e flor, sorriso e amor, e dor.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O QUE SERÁ, SERÁ!

Todas as noites antes de dormir eu faço um pequeno retrospecto do dia, do que transcorreu, do que foi importante e do que não foi também. Aí eu fico pensando do que eu poderia ter feito de melhor, do que eu não deveria ter feito de maneira nenhuma ou no que eu fiz e definitivamente não me arrependo.
E é nessas horas que eu sinto como as coisas são passageiras, de como tudo o que se sente agora talvez não seja a mesma coisa que sintamos daqui a alguns anos, ou mesmo daqui a um minuto.
E também é nessas horas que eu vejo o meu passado, da minha ainda curta vida de quase 18 anos, é nessas horas também que eu vejo de como era ingênua e desconhecedora de várias coisas da vida, e continuo sendo – a “idade” não me subiu à cabeça – mas lembro de quando eu tinha 13 anos, achava que era perfeitamente adulta.
Eu também sei que daqui a alguns anos eu vou ter essa mesma opinião sobre mim hoje, vou querer voltar ao passado, vou querer regredir no tempo para tentar não cometer alguns erros que eu hoje cometi e ainda cometerei, ou mesmo, querer cometê-los de novo, como diz a música Epitáfio, dos Titãs.
Será que quando eu estiver velha (de corpo) eu vou olhar para o passado e ter a certeza de que fiz o que tinha que ser feito, ou vou olhar e ver mais uma vez que eu só fui uma tola que não soube aproveitar as chances que a vida lhe deu?
Meu futuro ainda é incerto, sei que vão acontecer reviravoltas na minha vida, e sei que eu ainda vou amadurecer muito mais, à custa de sofrimento, é claro, sei que eu ainda vou me lembrar desses tempos de agora com muitas saudades, mas, se existe uma coisa que eu não quero perder nunca é a capacidade de rir mesmo nas adversidades, de cantar músicas que não fazem sentido algum, de dizer piadinhas com a família reunida, de brincar com as crianças e de andar com os olhos fechados e abrir os braços deixando que o vento leve os meus cabelos, mesmo sabendo que eu posso ser atropelada por qualquer carro errante.
Não quero deixar nunca de visitar os meus amigos de surpresa, não quero deixar nunca de ligar o som bem alto enquanto se arruma a casa, e eu não quero nunca, nunca mesmo deixar de fazer guerra de travesseiro. Eu não quero deixar nunca de andar de bicicleta sem um lugar específico para se ir, não quero deixar nunca de cantar no chuveiro músicas em inglês que eu não sei o que significam (por enquanto), não quero deixar nunca de criticar o que eu vejo na televisão e mesmo assim não conseguir mudar de canal.
Eu quero é continuar sendo essa mesma doida de sempre, que gosta de encontrar os amigos e ficar batendo papo sentada nas calçadas da cidade até altas horas da noite, a contra-gosto de meus Pais.
Eu quero é ser feliz, sei que a idade vai chegar e com ela as responsabilidades, mas vou lutar com todas as minhas forças para que a vida não me deixe carrancuda e amarga, não, isso nunca!
Quero ser uma mulher, que a vida deixou como presente a alegria e a leveza de uma menina.


Jamila Carvalho

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O QUE EU DESEJO PRA VOCÊS

Desejo primeiro que você ame, e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconsequentes, sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos um deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante.
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso desta tolerância, você sirva de emeplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais
E que sendo maduro não insista em rejuvenescer.
E que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor.
Desejo, por sinal, que você seja triste.
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia, descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra com o máximo de urgência acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes e que estão bem à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.
Porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por menor que seja e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro.
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano, coloque um pouco dele em sua frente e diga: "Isso é meu"
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por eles e por você
Mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem culpar.
Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulhere que sendo mulher, tenha um bom homem.
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar.


Victor Hugo

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A URGÊNCIA DE JERÔNIMO - CRÔNICA

Já passavam de duas horas da manhã quando Seu Jerônimo apareceu, aos gritos na farmácia de Seu Antônio, o único farmacêutico daquela cidadezinha do interior do interior do Acre. Gritos estes que acordaram não só Seu Antônio e a esposa, que moravam no andar de cima do prédio da Farmácia, mas também a vizinhança inteira.

Seu Antônio sabia que deveria descer e atender quem quer que fosse, não era médico, mas se sentia como um, e por isso, deveria cumprir com o juramento de Hipócrates da mesma maneira que os seus "colegas" graduados! Mas era um pena, pois naquela noite estava dormindo como nunca mais dormira, e com raiva e de cara inchada desceu, sob os protestos da esposa.

Ao chegar na calçada de sua casa e farmácia, viu não só o Velho Jerônimo, mas também um pequeno aglomerado, eram os vizinhos sensibilizados com a insistência do velho, que poderia estar com a esposa doente e prestes a morrer e tudo dependeria do Farmacêutico abrir ou não seu estabelecimento.

Passaram meia hora discutindo, de um lado: Seu Antônio zangado e sem querer abrir a farmacinha, do outro o Velho Jerônimo e a multidão, gritando com mais vigor, e todos, mesmo com sono, estavam cada vez mais exaltados e os gritos estavam cada vez mais altos.

Quando finalmente, Seu Antônio resolveu abrir a Farmácia e sob aplausos dos vencedores, foi para atrás do balcão, perguntou pro Velho Jerônimo o que ele queria, foi com espanto que ele escutou:

- Nada não! Eu só queria me pesar!


Jamila Carvalho ou JamYYY GIRL.

domingo, 13 de abril de 2008

Música: Monsueto para um domingo de manhã

Um clássico que diz o que eu digo.









Eu quero essa mulher assim mesmo







sábado, 12 de abril de 2008

Artes Visuais: a obra de Lucian Freud

É interessante pensar na proporção que uma obra de arte pode tomar. Ele, sozinho em sua oficina de trabalho, traço por traço, pincela com a alma, dá vida ao inanimado, tijolo por tijolo até que seu castelo esteja completamente erigido.





Auto-retrato do artista.


No cotidiano de sua lida, o pintor não pensa: "Uhm, vou pintar esse quadro e ele vai valer 50 milhões de dólares". Então... como é este processo que atribui o valor artístico de uma obra? Como um traço vale tanto?


Hoje li esta notícia e me surpreendi. Vocês estão olhando para uma tela que vale 35 milhões de dólares. A obra de maior valor pertencente a um artista vivo. Será que nesse caso poderíamos dizer que vale o quanto pesa? (ok, piadinha politicamente incorreta)

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Alguns de seus trabalhos:































Não conheço nada sobre a biografia do cara, apenas admiro sua obra. Por isso não enrolarei meus 4 leitores nem inventarei coisas que não sei. Apenas disponibilizarei alguns links sobre ele, caso vocês se interessem em consultar. O fato é que não há como ficar apático frente ao traço de Lucian Freud.






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Links recomendados:

Sobre a vida
Sobre a obra
Mais trabalhos
Informações detalhadas no Tate British

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cartas ao escafandrista III

Prezado escafandrista,


Aqui no passado os nossos homens célebres costumam ser homenageados com medalhas, capas de revistas de fofoca, estampam as fotografias de jornais, são "vítimas" de coberturas audiovisuais a respeito de suas vidas profissionais e privadas, são donos de páginas e páginas de nossos periódicos; até estátuas nossos homens de destaque ganham. Tudo para as nossas inestimadas celebridades.


Mas eu custo a entender, prezado escafandrista, como alguém pode considerar que excrementos de aves urbanas possam ser concebidos como homenagem. Sim, prezado escafandrista, a maioria das homenagens citadas terminam como banheiro público dessas aves e outros animais afins. Não sei se o prezado escafandrista entende o conceito de banheiro, por isso tentarei explicitá-lo para seu maior entendimento.


Em nossos dias aqui no passado, utilizamos locais reservados para realizar nossas necessidades fisiológicas, como fezes, urina, e, algumas vezes, para satisfazer nossas vontades sexuais. Aqui no nosso pretérito-mais-que-imperfeito, consideramos todos estes atos como sendo imorais.


Agora observe, prezado escafandrista, seus descendentes consideram imoral o que é da natureza.
Meu caro homem do futuro, ajude-me a entender o seguinte: como algo inerente ao homem pode considerado imoral? A moral, então, é algo não-transcendental? A moral está além do homem?





Vocês aí no futuro, cagam e mijam? Vocês ainda têm o hábito de foder?

Literatura (e psicanálise?): citação

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."



Gabriel Garcia Márquez - Memórias de minhas putas tristes

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** Leitura recomendada:
Cem anos de solidão
Amor nos tempos do cólera

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Cartas ao escafandrista II

Prezado escafandrista,

Nós aqui do passado temos o hábito de freqüentar praias, namorar olhando as estrelas, bater papo tomando uma cervejinha, entre outras atividades realizadas a céu aberto. Responda, caro escafandrista, existe cerveja aí no futuro? Qual o entorpecente que vocês costumam utilizar? Meus contemporâneos usam vários tipos de drogas (sim chamamos os entorpecentes de drogas, como se fosse uma droga se entorpecer, imagina...), a maioria delas já foram institucionalizadas, enquanto outras permanecem ilegais (por falar em ilegal, vocês têm leis por aí?).

Qual é a pena para os que não seguem as leis? Aqui no passado as penas são aplicáveis quase que exclusivamente para os que não possuem dinheiro. Estimado escafandrista, vocês aí do futuro possuem dinheiro? Como é a distribuição da riqueza entre vocês? Aqui no passado é tudo muito desigual. Uma pequena parcela da população conventra a grande maioria das riquezas do mundo.

Há gente morrendo de fome no futuro, prezado escafandrista? Aqui no passado isto é coisa rotineira. Morrer de fome faz parte do cotidiano de muitas famílias. Não que eu me importe com isso, pois tenho a minha fatia do bolo (ainda que pequena, quase ínfima fatia). Nós temos fome de consumo.



E vocês, têm fome de quê?

terça-feira, 8 de abril de 2008

Cinema: Timecode

Ficha técnica:
Diretor: Mike Figgis
Roteirista: Mike Figgis
Ano de lançamento: 2000
Gênero: Drama
Duração: 93 minutos
Elenco: Xander Berkeley, Stellan Skarsgård, Golden Brooks, Saffron Burrows, Salma Hayek, Holly Hunter, Jeanne Tripplehorn







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Sinopse: O diretor Mike Figgis (Despedida em Las Vegas) inova ao dividir a tela em quatro partes para contar a história de um misterioso assassinato. Quatro personagens principais estão no centro da história: um executivo do cinema e sua esposa, uma aspirante a atriz que está no meio de um caso e uma mulher cujas ações irão alterar para sempre seus destinos.



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Mais uma sessão do Cineminha na Liga aqui no Blog. Dessa vez o personagem principal é um diretor (e roteirista) inglês, chamado Mike Figgis. Figgis é um entusiasta do cinema digital e seus filmes tentam quebrar barreiras e preconceitos que muitos cinegrafistas ainda têm em relação ao video no cinema.
Ele mostra que é possível fazer filmes de qualidade com baixo orçamento, sem precisar recorrer à película e se submeter a todas as suas limitações. Dá um empurrãozinho em todos aqueles que possuem idéias na cabeça, uma mini-dv à mão, mas não têm coragem pra começar a filmar.


Minha opinião

Um experimento audiovisual. Uma tela dividida em quatro e um filme feito sem cortes, em tempo real. Hitchcock fez algo parecido no brilhante Festim Diabólico, filme realizado com apenas um corte (quem não se lembra do zoom in e out nas costas de um dos personagens?), mas não com a extensão e ousadia do Mike Figgis. O roteiro deixa a desejar, é verdade, mas a sincronia entre as "cenas" compensa. Ensaios e improviso. Tudo na medida certa.

Alex é o galã às avessas. Executivo do cinema, atravessa a meia-idade utilizando sua posição social para arrumar sexo com aspirantes a atriz. Cheira o tempo todo (aliás, qual personagem ali não é adepto ao pó?), trepa num cantinho com uma de suas amantes, enquanto sua mulher sofre de crise existencial na sala ao lado. Diz querer largar tudo e ir viver em Toscana. Propõe isso à sua mulher e à amante (Salma Hayek interpretando a maior biscate de sua carreira), porém fica claro que ele não abdicaria de suas facilidades para ter uma vida mansa em uma região remota da Itália. É tudo tipo.

Em uma das cenas (ou seria em quatro das cenas?), os operadores de câmera executaram um close up nos atores em quadro, talvez como uma tentativa de aproximação psicológica daqueles personagens. Interessante observar que todas as câmeras portavam lentes grande-angular (o que costuma tornar os closes mais poderosos, devido às distorções que essas lentes provocam ao se aproximarem do objeto em foco).

Em termos de história não há muito o que falar, mas a narrativa se torna interessante pela escolha estética do diretor. Pode se tornar confuso em alguns momentos, mesmo com a edição de som ajudando a identificar os "diálogos-chave" para ninguém se perder no meio do caminho. É, sem dúvida, um filme para iniciados e não para iniciantes (não havendo nenhum tipo de julgamento de valor neste enunciado).

* Destaque para a Holly Hunter (mesmo num papel sem destaque), sempre maravilhosa.

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Trecho do filme:















** Leitura indicada: Digital Filmmaking - Mike Figgis / Faber and Faber, Inc. 2007

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Promoção da semana:

Seja o primeiro a ir até meu scrapbook e dizer: "Salma Hayek é gostosa pra chuchu" e ganhe um brinde sensacional!

OBITUÁRIO...



Eis que veio a óbito

O senhor José Almeida da Conceição Sobrinho

Falecido sem ter terminado de pagar as prestações da casa financiada pela Caixa

Ou ido à Cancun


Morreu sem nunca ter fumado

Sem nunca ter bebido

Morreu sem nunca ter gozado


Sem nunca ter traído

(e sendo traído pela mulher que nunca o havia amado)


Deixou dois filhos

Um rapaz e um menino

Um com acne

Um asmático

Um cocainômano

Outro reprovado em matemática

Os dois

Porém

Orfãos de pai

E mãe ausente


Morreu, o senhor José Almeida da Conceição Sobrinho

Numa tarde de sábado em que jogavam Flamengo e Madureira

E uma jovem que ele não conhecia era estuprada num beco qualquer por um viciado em crack

[com uma faca de cozinha


As nuvens naquela tarde não choraram

Não houve chuva vento bater de portas calafrios súbitos

Nem a mais ínfima manifestação de consideração divina pela morte de um homem

Que viveu sempre

No mesmo

Lugar...



RICHARD

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Cartas ao escafandrista I

Prezado escafandrista,

Sim, um dia fomos minhocas. Vivemos décadas sob a terra nos amontoando. Possuíamos um ritmo frenético pois fomos informados por uma força do além que precisávamos produzir (e nós, talvez ingenuamente, acreditamos). Diariamente milhões de nós transitávamos por debaixo de calor, concreto, barulho e pernas, como que, pisoteados, fôssemos levados do trabalho para casa e de casa ao trabalho. Trabalhamos muito, sem saber exatamente o motivo de tanto labor (e dissabor). Vivemos o dia-a-dia desconhecendo o porquê. Lutamos pela nossa existência na desistência de saber pelo que existir. Ignoramos o instinto, somos apenas carne e razão. Formigas ambulantes, perdidas abaixo do solo, cuja única missão é erigir uma civilização. Progredir... progredir... num ir-e-vir cuja meta é lugar nenhum.

Religiões nos dão respostas superficiais e fantasiosas, são mitos de muitos. Há também os filósofos, que se esmeram em explicar o que parece inexplicável. Será que o prezado escafandrista, homem do nosso futuro, já foi presenteado com o que nos parece ser a grande resposta da vida: o motivo do processo nascer-e-morrer?

Prezado escafandrista, caso a viagem no tempo já seja possível na sua Era (meus contemporâneos acreditam que um dia será), peço que venha nos visitar aqui no passado e nos conte algumas de suas velhas novidades. Somos ávidos pelo conhecimento, ainda que não saibamos o que fazer com ele. Vivemos no escuro, pisoteando civilizações passadas como quem dança o ritmo compassado e moroso do que chamamos de concreto. São dois pra lá, e dois pra cá. E fica a pergunta...

... prezado escafandrista, do que é feito o futuro?

Cartas aos escafandristas - Introdução

A tecnologia aliada à História. Imagens produzidas no outro lado do mundo chegam aos nossos olhos em questão de segundos. Em contrapartida, muitas imagens dividem o lugar conosco sem que nosso olhar se volte a elas.

Os escafandristas descobrirão, através das imagens do cotidiano, como foi nossa civilização com uma dimensão extraordinariamente maior do que nossos arqueólogos o fazem hoje. Hábitos, costumes, normas, condutas, afeições, tudo poderá ser detalhadamente identificado através dos registros de imagem das nossas, hoje frenéticas, câmeras digitais. Nossa ferramenta não será mais o osso, mas a câmara escura. Nossa invenção não será a roda, mas a construção da iconografia do cotidiano.

Este espaço também destina-se à publicação de cenas públicas e privadas. O registro do nosso dia-a-dia e o de nossos contemporâneos. Vamos nos comunicar com a tribo futura, contando aos nossos descendentes remotos como vivíamos em nossa prosaica civilização. O cotidiano será o personagem principal em nossas cartas.

Caso o leitor queira compartilhar imagens de sua autoria, estão convidados a alimentarem este pedaço de bits e bytes. Basta enviar um correio com a imagem, legenda, e data da situação ocorrida.

Abra o olho, estamos vivendo a Era da Imagem!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Literatura: poesia&música (ou não)

Gata não mia
Mas pede em segredo
A felicidade
Busca nos sonhos
A realidade
Não dorme pra ter raiz
Gata não reza
Mas pede em segredo
Um dia feliz
Busca na vida
O que se quis
E ainda assim
Marca pontos por fora
Gata não ama
Mas pede em segredo
Na minha cama
Busca no amor
Mais do que fama
Quer sentir dor
Gata que inflama

©

terça-feira, 1 de abril de 2008

Cineminha na Liga: A Rainha Margot

Ficha Técnica

Título no Brasil: A Rainha Margot
Título Original: La Reine Margot
Direção: Patrice Chéreau
País de Origem: França
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 1994
Elenco: Isabelle Adjani,Daniel Auteuil, Jean-Hugues Anglade, Vincent Perez, Virna Lisi, Pascal Greggory, Miguel Bosé






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Baseado no livro homônimo de Alexander Dumas, A Rainha Margot é, além de uma aulinha de História, uma abordagem psicanalítica sobre as questões levantadas, posteriormente, por Freud a respeito da necessidade da morte simbólica dos pais para a possibilidade de formação / construção do indivíduo.

Trata-se, sobretudo, de um tema contemporâneo: ódio religioso com fundo político (qualquer semelhança com o que ocorre hoje entre Cristãos x Muçulmanos x Judeus é mera coincidência?). Guerra civil entre católicos e protestantes, onde esses últimos eram obrigados a abjurarem de suas crenças se quisessem sobreviver.

Uma das coisas interessantes no filme, é como a psicologia dos personagens é delineada através de seus atos e gozos sexuais (quase sempre) desregrados. Na história contada por Dumas, e ilustrada por Chéreau, o desejo e o ato sexual são colocados como imperativos de gozo. Freud e Lacan se redescobririam mais tarde, em suas respectivas teorias psicanalíticas.


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Liberdade para o sexo em oposição à privação do amor.

É curioso observar como o sexo é encarado de forma natural e aceitável, enquanto o amor é, de certa forma, considerado algo maldito. O amor é visto como uma fraqueza. Inversão dos valores contemporâneos. Hoje valoriza-se muito mais o amor e condena-se o sexo. Isso pode soar como um paradoxo, num mundo onde bundas são estampadas em capas de revistas e o sexo é vendido às claras nas esquinas das grandes cidades, porém, não é necessário se aprofundar muito na questão para observarmos o quanto a sociedade atual julga o comportamento sexual de seus contemporâneos. Tentamos ser "modernos" (os contemporâneos de Margot o eram), porém retrocedemos vertiginosamente no que concerne às questões sexuais. A pós-modernidade é retrógrada e se esconde sob um disfarce progressista.

Fugi um pouco do filme para filosofar a respeito do contra-senso que permeia os valores morais do século XXI. Vou voltar à obra para tentar colocar sentido a estas minhas palavras desconexas.


Em determinado momento do filme, Margot diz ao seu marido que mostrar amor a alguém deve ser evitado, pois enfraquece o indivíduo, oferecendo armas para que o "inimigo" o destrua. Dumas coloca o amor como sinônimo de morte? É interessante lembrar que, em francês (idioma original da obra), usa-se o termo petit mort (pequena morte) para se referir ao clímax sensual – também conhecido como orgasmo.

O comportamento sexual de Margot é predominantemente masculino, pois suas atitudes indicam que ela é a predadora. É ela quem vai à caça de suas vítimas, tendo como meta exclusiva o gozo. A jovem é conhecida no Reino por suas práticas sexuais, e seu comportamento frio (indiferente) no que diz respeito aos sentimentos. Porém, em determinado momento, ela se percebe apaixonada... e por um protestante. Até conhecer La Môle, Margot parece sofrer uma interdição ao amor. Ao se apaixonar, ela "abdica" dos valores familiares e, conseqüentemente, da hipocrisia que imperava em sua família, para passar para o outro lado. Alia-se ao seu amor e, com isso, torna-se também aliada dos protestantes. Margot vislumbrou que só poderia se transformar em sujeito que ama caso se afastasse da sufocante família à qual fazia parte.

Outro ponto que também pode ser analisado pelo viés psicanalítico, é a notável dependência que o Rei Carlos IX possuía em relação à sua mãe, assim como a qualquer outra figura impositiva / absoluta. O pai de Carlos IX morre cedo, deixando o trono para seu primogênito assumir ainda criança. No decorrer do filme, torna-se evidente o efeito que a ausência da figura paterna causa na vida do rei – ainda que a Rainha Catharina (mãe de Carlos) tenha substituído a figura do pai. Esta substituição da figura materna pela paterna acaba por gerar, também, a ausência do feminino no seio familiar (o que talvez sirva como influência para o comportamento de Margot, já que sua mãe a masculiniza durante toda a história). O Almirante Coligny (protestante e melhor amigo de Carlos IX), serve como apoio paternal ao Rei. Após a morte deste, Carlos IX realiza a transferência da figura da paternidade para seu cunhado, Henrique de Navarra. Em um momento da narrativa, o rei diz que Coligny serviu para que ele se tornasse independente da mãe e, de certa forma, se tornasse independente dele próprio.


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Dúvida: há amor incestuoso entre a Catharina e seu filho Anjou? Muitas vezes há indicações que respondem a esta pergunta, mas nenhuma resposta é definitiva. Eu acredito que haja sim, até por todo o tal contexto psicanalítico que mencionei anteriormente. A rainha gostaria de governar ao lado de um rei que a merecesse. A rainha e o rei juntos, sentados no trono, em seus delírios de mandos e desmandos. Cortem cabeças, apunhalem os inimigos, embrenhem-se nas entranhas daqueles que se opõe.

Ali está a semente que germinará, fazendo nascer, anos mais tarde, o Estado Absolutista francês.

Matar em nome de Deus. Um deus. Qualquer deus. Há deus? Adeus.


Vive la Révolution!


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Em relação à parte técnica, destaque para a fotografia primorosa, figurino, direção consciente, direção de arte (certamente com intenso trabalho de pesquisa)... tudo nota dez. Além disso, há a performance impecável da Isabelle Adjani, alva, linda, e perfeita em cada gesto.


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* Indicação de Filme: Lutero - Eric Till
* Indicação de Leitura: A Rainha Margot - Alexander Dumas
Hamlet - William Shakespeare









Trecho do filme:

Cineminha+IV



** Mais uma vez me desculpo pela evidente falta de linearidade do texto.

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PROMOÇÃO MALUCA:
O primeiro leitor que escrever a seguinte senha no meu scrapbook ganha um magnífico prêmio:
Agatha, ò, Soberana, cadê meu prêmio?


domingo, 30 de março de 2008

Literatura: Técnicas de Sedução

Era sempre a mesma história. Ela fugindo das investidas dele, e ele, cada vez mais incisivo, tentando levá-la para a cama de qualquer jeito.

Dionísio e Isadora haviam se conhecido há alguns meses na casa de um amigo em comum, que já o havia alertado sobre a atitude pudica da amiga em questão, fato que fez com que ele fosse invadido por um desejo incontrolável de desvirtuá-la. A idéia de ser o primeiro a se deitar com ela, a idéia de corrompê-la, a idéia de apresentá-la aos prazeres mundanos o seduzia imensamente.


Ela viveu seus 23 anos em abstinência total dos prazeres sensuais. Era uma virgem que dizia querer preservar sua castidade até que encontrasse seu príncipe consorte. Dona de um temperamento passivo e às vezes apático, vivia de forma indulgente, guardando a felicidade para ser vivida apenas no dia seguinte. Sem saber, na sua inocência de menina pós-púbere, que o dia seguinte poderia não chegar.
As investidas de Dionísio eram cada vez mais agressivas. O que começou com flores, bombons e convites para jantar, se transformou em telefonemas libidinosos no meio da noite, mensagens eróticas, sempre diretas e sem rodeios.
Durante bastante tempo Isadora se manteve implacável aos apelos de seu pretendente, não cedendo sequer um beijo ao pobre Dionísio, que, a esta altura, já dedicava todos os seus momentos de solidão lasciva à imagem de sua musa inspiradora. Não era possível dormir e acordar sem pensar nela, sem imaginar seu toque, sua boca, seus carinhos, e seu sexo tímido engolindo o dele. Era assim que começava a se masturbar, e terminava sempre jorrando seu líquido seminal em abundância. Cada gota de seu leite era destinada a ela.


Não é que Isadora não gostasse de seu admirador. Ela gostava. Gostava das conversas, gostava da companhia e também gostava de se sentir desejada. Chegou a se sentir excitada uma ou duas vezes, mas se penitenciou por ter tido tais reações físicas. Não queria pensar nisso. Não queria pensar que poderia renunciar à sua virtude precocemente, e, o que seria pior, com a pessoa errada. O que ela precisava era de uma prova cabal de que Dionísio seria o homem que a faria ceder aos prazeres da carne, que a faria sucumbir em seus braços, que a faria entregar seu corpo e sua alma de moça pura. Ainda que ela precisasse dessa demonstração, ela não sabia ao certo como essas provas se apresentariam.

Em uma noite escura de outono, quando levava Isadora para casa após assistirem a uma retrospectiva de cinema político italiano, Dionísio se apercebeu em um momento inefável de cólera. Mirou para sua companhante, aproximou-se dela ostentando um olhar inflamado, pegou em seus braços com força e a levou até o muro mais próximo, enfiando a língua quente e viril dentro de sua boca. Viu-se como um vampiro ao sugar e morder o pescoço de Isadora enquanto esmagava o corpo frágil de sua vítima usando como compressores a parede e seu próprio corpo. E, como um animal faminto que devora sua presa, rasgou as roupas delicadas de mulher inocente e enfiou seu membro rijo dentro do sexo até então imaculado de Isadora. Nesse momento ela já se contorcia, entregue aos delírios que eram apenas daquele homem, mas que agora tratava-se também de seus próprios desejos. E eram.

Tudo aconteceu ali, em uma rua deserta e mal iluminada, a duas quadras de sua casa. Foi então que ela compreendeu. Estava ali a prova que precisava. Era ele o homem com quem tencionava passar o resto da vida.

Em três meses estavam casados e ela, radiante, carregava em seu ventre o primogênito do casal. O primeiro dos quatro filhos que tiveram.

Amanhã será a colação de grau de Ricardo, o filho mais novo do casal.

© Agatha


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* Filme recomendado: Ata-me, Pedro Almodóvar
* Leitura recomendada: Memória de minhas putas tristes, Gabriel Gárcia Márquez

sábado, 29 de março de 2008

Poesia: para ler ouvindo

- Toc toc toc
- Quem bate?
- É o vento.


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Deixe-me ser
Um pedaço da sua história
Esse tempo sem glória
Que você viveu

Deixe-me ser
O seu ledo engano
O teu erro profano
Esse espaço em vão

Deixe-me abrir
Teus caminhos pro nada
E ser mera risada
Que te faz aprender

Deixe-me ser
Esse vento que bate
E desfaz teu cabelo
E te faz esquecer


©

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Video: Brincadeira de criança

O video abaixo foi editado em 32 minutos.
Os personagens são fictícios. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Argumento: Agatha
Edição: Agatha
Falta do que fazer: Agatha

Imagens coletadas no Youtube

Inclassificável: a voz terceiro-mundista

Pior eu, que nem raça tenho. Sou preta, branca e amarela. Sou índio, gentio da terra. Carrego tudo em mim. Sinto as dores e a liberdade de ser. Pior eu, que não me classifico. Fico em cima do muro, percebo tudo assim. Melhor eu que nem raça tenho. Melhor eu, que sou brasileiro.



Brasileiros de terno. Há coisa mais estranha? Fomos feitos para o sol. Somos de lua. Somos da rua. Brasileiros em sua realidade crua. Índios, brancos, negros, na mais mestiça mistura. Caminhando sob o raio solar que ilumina idéias puras, fissuras, falsas juras, e a imensa loucura que é ser brasileiro.