A menina vinha feliz, estava escutando música, aquela música que a pessoa carrega na alma, que não sabe explicar de onde vem, mas sabe que ela está alí fazendo-lhe companhia. Começou a cantar, sua voz era suave, não chegava a ser uma voz doce, mas era bem agradável de se ouvir.
Ela não se deu conta que estava no meio da avenida em pleno meio-dia, seu estado de espírito era tão feliz que ela estava absolutamente só no mundo. Não abriu os olhos, não olhou em volta, não foi reparar se não havia alguém vendo, simplesmente deu vontade de dançar e ela dançou, também não era uma ótima bailarina, mas era agradável ver seu corpo se mexendo como se não tivesse ossos.
Não! Ela não foi atropelada e morreu, como você pensou que fosse o final dessa história, no momento que ela começou a dançar todos os carros pararam pra ver o que era aquilo. Pensaram que a moça estava louca, onde já se viu ficar daquele jeito em plena avenida movimentada...
Ela dançou e dançou e dançou e cantou e até gritou! Quando ela abriu os olhos e viu que todos estavam contemplando-a, deu uma gargalhada e foi pra calçada como se nada tivesse acontecido. Todos ficaram pasmos com aquilo, estava louca mesmo aquela menina... que mundo! Que mundo! Uma garota tão bonita...
Ela seguiu seu rumo com um sorriso no canto dos lábios, eles nunca saberiam que ela voltava de uma noite de amor...
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sábado, 24 de maio de 2008
sexta-feira, 2 de maio de 2008
O QUE SERÁ, SERÁ!
Todas as noites antes de dormir eu faço um pequeno retrospecto do dia, do que transcorreu, do que foi importante e do que não foi também. Aí eu fico pensando do que eu poderia ter feito de melhor, do que eu não deveria ter feito de maneira nenhuma ou no que eu fiz e definitivamente não me arrependo.
E é nessas horas que eu sinto como as coisas são passageiras, de como tudo o que se sente agora talvez não seja a mesma coisa que sintamos daqui a alguns anos, ou mesmo daqui a um minuto.
E também é nessas horas que eu vejo o meu passado, da minha ainda curta vida de quase 18 anos, é nessas horas também que eu vejo de como era ingênua e desconhecedora de várias coisas da vida, e continuo sendo – a “idade” não me subiu à cabeça – mas lembro de quando eu tinha 13 anos, achava que era perfeitamente adulta.
Eu também sei que daqui a alguns anos eu vou ter essa mesma opinião sobre mim hoje, vou querer voltar ao passado, vou querer regredir no tempo para tentar não cometer alguns erros que eu hoje cometi e ainda cometerei, ou mesmo, querer cometê-los de novo, como diz a música Epitáfio, dos Titãs.
Será que quando eu estiver velha (de corpo) eu vou olhar para o passado e ter a certeza de que fiz o que tinha que ser feito, ou vou olhar e ver mais uma vez que eu só fui uma tola que não soube aproveitar as chances que a vida lhe deu?
Meu futuro ainda é incerto, sei que vão acontecer reviravoltas na minha vida, e sei que eu ainda vou amadurecer muito mais, à custa de sofrimento, é claro, sei que eu ainda vou me lembrar desses tempos de agora com muitas saudades, mas, se existe uma coisa que eu não quero perder nunca é a capacidade de rir mesmo nas adversidades, de cantar músicas que não fazem sentido algum, de dizer piadinhas com a família reunida, de brincar com as crianças e de andar com os olhos fechados e abrir os braços deixando que o vento leve os meus cabelos, mesmo sabendo que eu posso ser atropelada por qualquer carro errante.
Não quero deixar nunca de visitar os meus amigos de surpresa, não quero deixar nunca de ligar o som bem alto enquanto se arruma a casa, e eu não quero nunca, nunca mesmo deixar de fazer guerra de travesseiro. Eu não quero deixar nunca de andar de bicicleta sem um lugar específico para se ir, não quero deixar nunca de cantar no chuveiro músicas em inglês que eu não sei o que significam (por enquanto), não quero deixar nunca de criticar o que eu vejo na televisão e mesmo assim não conseguir mudar de canal.
Eu quero é continuar sendo essa mesma doida de sempre, que gosta de encontrar os amigos e ficar batendo papo sentada nas calçadas da cidade até altas horas da noite, a contra-gosto de meus Pais.
Eu quero é ser feliz, sei que a idade vai chegar e com ela as responsabilidades, mas vou lutar com todas as minhas forças para que a vida não me deixe carrancuda e amarga, não, isso nunca!
Quero ser uma mulher, que a vida deixou como presente a alegria e a leveza de uma menina.
Jamila Carvalho
E é nessas horas que eu sinto como as coisas são passageiras, de como tudo o que se sente agora talvez não seja a mesma coisa que sintamos daqui a alguns anos, ou mesmo daqui a um minuto.
E também é nessas horas que eu vejo o meu passado, da minha ainda curta vida de quase 18 anos, é nessas horas também que eu vejo de como era ingênua e desconhecedora de várias coisas da vida, e continuo sendo – a “idade” não me subiu à cabeça – mas lembro de quando eu tinha 13 anos, achava que era perfeitamente adulta.
Eu também sei que daqui a alguns anos eu vou ter essa mesma opinião sobre mim hoje, vou querer voltar ao passado, vou querer regredir no tempo para tentar não cometer alguns erros que eu hoje cometi e ainda cometerei, ou mesmo, querer cometê-los de novo, como diz a música Epitáfio, dos Titãs.
Será que quando eu estiver velha (de corpo) eu vou olhar para o passado e ter a certeza de que fiz o que tinha que ser feito, ou vou olhar e ver mais uma vez que eu só fui uma tola que não soube aproveitar as chances que a vida lhe deu?
Meu futuro ainda é incerto, sei que vão acontecer reviravoltas na minha vida, e sei que eu ainda vou amadurecer muito mais, à custa de sofrimento, é claro, sei que eu ainda vou me lembrar desses tempos de agora com muitas saudades, mas, se existe uma coisa que eu não quero perder nunca é a capacidade de rir mesmo nas adversidades, de cantar músicas que não fazem sentido algum, de dizer piadinhas com a família reunida, de brincar com as crianças e de andar com os olhos fechados e abrir os braços deixando que o vento leve os meus cabelos, mesmo sabendo que eu posso ser atropelada por qualquer carro errante.
Não quero deixar nunca de visitar os meus amigos de surpresa, não quero deixar nunca de ligar o som bem alto enquanto se arruma a casa, e eu não quero nunca, nunca mesmo deixar de fazer guerra de travesseiro. Eu não quero deixar nunca de andar de bicicleta sem um lugar específico para se ir, não quero deixar nunca de cantar no chuveiro músicas em inglês que eu não sei o que significam (por enquanto), não quero deixar nunca de criticar o que eu vejo na televisão e mesmo assim não conseguir mudar de canal.
Eu quero é continuar sendo essa mesma doida de sempre, que gosta de encontrar os amigos e ficar batendo papo sentada nas calçadas da cidade até altas horas da noite, a contra-gosto de meus Pais.
Eu quero é ser feliz, sei que a idade vai chegar e com ela as responsabilidades, mas vou lutar com todas as minhas forças para que a vida não me deixe carrancuda e amarga, não, isso nunca!
Quero ser uma mulher, que a vida deixou como presente a alegria e a leveza de uma menina.
Jamila Carvalho
quarta-feira, 30 de abril de 2008
A URGÊNCIA DE JERÔNIMO - CRÔNICA
Já passavam de duas horas da manhã quando Seu Jerônimo apareceu, aos gritos na farmácia de Seu Antônio, o único farmacêutico daquela cidadezinha do interior do interior do Acre. Gritos estes que acordaram não só Seu Antônio e a esposa, que moravam no andar de cima do prédio da Farmácia, mas também a vizinhança inteira.
Seu Antônio sabia que deveria descer e atender quem quer que fosse, não era médico, mas se sentia como um, e por isso, deveria cumprir com o juramento de Hipócrates da mesma maneira que os seus "colegas" graduados! Mas era um pena, pois naquela noite estava dormindo como nunca mais dormira, e com raiva e de cara inchada desceu, sob os protestos da esposa.
Ao chegar na calçada de sua casa e farmácia, viu não só o Velho Jerônimo, mas também um pequeno aglomerado, eram os vizinhos sensibilizados com a insistência do velho, que poderia estar com a esposa doente e prestes a morrer e tudo dependeria do Farmacêutico abrir ou não seu estabelecimento.
Passaram meia hora discutindo, de um lado: Seu Antônio zangado e sem querer abrir a farmacinha, do outro o Velho Jerônimo e a multidão, gritando com mais vigor, e todos, mesmo com sono, estavam cada vez mais exaltados e os gritos estavam cada vez mais altos.
Quando finalmente, Seu Antônio resolveu abrir a Farmácia e sob aplausos dos vencedores, foi para atrás do balcão, perguntou pro Velho Jerônimo o que ele queria, foi com espanto que ele escutou:
- Nada não! Eu só queria me pesar!
Jamila Carvalho ou JamYYY GIRL.
Seu Antônio sabia que deveria descer e atender quem quer que fosse, não era médico, mas se sentia como um, e por isso, deveria cumprir com o juramento de Hipócrates da mesma maneira que os seus "colegas" graduados! Mas era um pena, pois naquela noite estava dormindo como nunca mais dormira, e com raiva e de cara inchada desceu, sob os protestos da esposa.
Ao chegar na calçada de sua casa e farmácia, viu não só o Velho Jerônimo, mas também um pequeno aglomerado, eram os vizinhos sensibilizados com a insistência do velho, que poderia estar com a esposa doente e prestes a morrer e tudo dependeria do Farmacêutico abrir ou não seu estabelecimento.
Passaram meia hora discutindo, de um lado: Seu Antônio zangado e sem querer abrir a farmacinha, do outro o Velho Jerônimo e a multidão, gritando com mais vigor, e todos, mesmo com sono, estavam cada vez mais exaltados e os gritos estavam cada vez mais altos.
Quando finalmente, Seu Antônio resolveu abrir a Farmácia e sob aplausos dos vencedores, foi para atrás do balcão, perguntou pro Velho Jerônimo o que ele queria, foi com espanto que ele escutou:
- Nada não! Eu só queria me pesar!
Jamila Carvalho ou JamYYY GIRL.
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