sábado, 1 de agosto de 2009


Vem meu amor
Vamos invadir um site
Vamos fazer um filho
Vamos criar um vírus
Traficar armas
Poemas de Rimbaud...





Vem meu amor
Vamos invadir um site
Vamos fazer um filho
Vamos criar um vírus
Traficar armas
Escravos e rancor...

A vida é boa
A vida é boa
A vida é bela
A vida é boa
A vida é boa
A vida é bela
Quem teme um tapa, não
Não põe a cara na tela...

Como diz meu tio
Estelionatário
Ladrão que rouba ladrão
Tem cem anos de perdão
Malandro também tem
Seu dia de otário...

Vagabundo acha que eu tô rico
Nêgo pensa que eu sou bacana
Bacana! Bacana! Bacanão!...

Quando a barra aperta
Eu faço bico
Eu aplico
Eu não fico sem grana
Sem grana! Sem grana!
Sem grana não!...

Eu me viro daqui
Eu me arranjo de lá
Quem só chora não mama
No meio do pega prá capá...

Malandro que é malandro
Não teme a morte
Malandro que é malandro
Vai pro norte
Enquanto os patos
Vão pro sul...

Vem cá, vem ver
Como tem babaca na TV
Vem cá, vem cá
A vida é doce
Mas viver tá de amargar...

Baby eu te espero
Para o chat das cinco...

Quem sabe, sabe
Quem não sabe, sobra...

Baby eu te espero
Para o chat das cinco...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eu nunca fui uma moça bem-comportada.



Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,

pra paixão sem orgasmos múltiplos ou
pro amor mal resolvido sem soluços.


Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
Não estou aqui pra que gostem de mim.

Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.

E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.

Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.


Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.


Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...


Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,
em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.

Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.

Eu acredito em profundidades.

E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou.


Maria de Queiroz

domingo, 5 de julho de 2009

A triste história de Pirró

Pelo que contam as pessoas desta estimada semi-circunferência (ou círculo?) do globo terrestre, hei de contá-los a triste história de Pirró. Um rapaz que foi além do limiar da infelicidade, por causa duma disgramada!
Rapaz cativante, por onde andava distribuia seu carisma e seu charme pra quem quer que fosse, tinha uma legião de fãs, porque além de bonito, era calmo, transparente, engraçado e tinha um sorriso que aaave maria! Que sorriso era aquele...
Dizia-se que aquela alegria que ele espalhava era por causa dela, do seu grande amor, um amor tão forte, tão bonito e tão profundo, que só Afrodite compreenderia e ainda assim, ficaria com ciúmes, pois nenhum de seus feitiços conseguiria desvirtuá-lo. Essa moça era uma graça... Era tão bonita e dizia a Pirró que seus filhos seriam cinco ao todo, três meninas e dois meninos, todos com cabelos castanhos e de olhos negros. Ela disse que só tinha se apaixonado porque o olho dele era negro, muito negro. Aquela coisa de não saber o que é menina do olho, o que é íris a fisgou.
Eles iam se casar, e ele tinha uma melhor amiga, Lena. Saíam, se divertiam, e o elo deles era excelente, toda a parentela de Lena era doida pra que eles namorassem, afinal, um bom partido não se pode deixar passar assim. Pena que a amiga também fosse amiga da namorada de Pirró.
Num casamento, a primeira garota citada foi, flertou com o noivo. Uma semana depois, deu pra ele. Fez o favor de dizer tudo pra Lena, depois ainda levou o amante pra conhecê-la.
Lena ficou naquela do "conto ou não conto?". Quer dizer, já imaginou se ele não acredita? E se acredita e mesmo assim aceita, ou se não acredita e não aceita, mas não quer mais falar por ter destruído a sua melhor ilusão?
A prima de Lena insistiu tanto que ela contasse pro rapaz, que ela acabou concordando, sabendo que era o seu dever de amiga, reuniu toda a coragem e foi na casa do rapaz.
(O pior que a gente sente quando algo não vai bem. Talvez, no fundo, no fundo, a gente sempre saiba.)
Na primeira vez que ela foi contar, o rapaz teve que sair pra um "compromisso" que ele tinha esquecido, às pressas, deixando suas desculpas e prometendo que escutaria tudo com muito prazer depois. Na segunda vez, outro empecilho. Na terceira, um: "Relaxa, Lena, depois você me conta, a gente não vai ver o filme?". Até que a pobre não se viu com mais coragem nenhuma...
Depois de muitas tentativas, a prima forçou. "Vem cá, Pirró! A Lena quer falar uma coisa muito importante contigo!". Não teve outra: um rapaz desorientado, que corria de um lado pro outro e que parecia não poder ouvir nem enxergar. Depois ele se lembrou que tinha voz e começou a gritar. Na mesma hora, antes do sangue esfriar, foi na casa da querida e pediu o colar de ouro que era o símbolo do amor (dele!).
Algum tempo depois, numa boate, eles se esbarraram: Lena com Pirró e Ela. A garota, com a consciência mais baixa que o carpete, pediu pra colocarem no letreiro da boate: PIRRÓ, POR FAVOR, ME PERDOA!
Na mesma hora, Pirró começou a chorar, foi correndo onde ela, a abraçou e se beijaram, rodando, no meio de um círculo que fizeram pra aplaudir e admirar. Foi só o tempo de o rapaz ir em casa deixar um amigo, a ex tava se agarrando com outro cara, e nem se deu o trabalho de escapar das vistas de Lena. Ele veio e viu e mais uma vez, sangrou. Pediu explicações, mas ela só respondeu que tinha pedido perdão, não pra voltar. Dilacerado, chorou de novo o maior amargor de sua vida, que foi ser feito de idiota duas vezes pela mesma mulher.
A transformação foi horrenda. Do cara que sabia todas as piadas de pontinho ao cara que foi preso por brigar numa balada e quase perde a mão, duma garrafada.

Triste história verdadeira de Pirró. Eu soube ontem, pela prima que forçou Lena. Apesar da história pertencer aos donos, julgo muito mais sábio aprender pelas histórias alheias, pena que a gente seja que nem a criança que ainda não sentiu a dor do fogo e não sabe que queima, sempre querendo viver também...

domingo, 28 de junho de 2009


Eis-me aqui...VELHA!!!



Aqui estou...não tinha planejado escrever nada pra marcar essa data, esse marco, essa coisa de ter 25 anos... Não planejei justamente por ser essa pessoa, essa mulher ( não acho que posso mais me chamar de moça com 25 anos, embora me tratar como mulher ainda soe esquisito), não planejo quase nada...e nada a longo prazo...MENTIRA!!!!

Estou planejando a festa da minha formatura que será em 31.07.2010...e estou fazendo assim por não ter como ser de outra maneira... essa porra de festa vai ser cara pro meu padrão financeiro modesto ( pobre é lasca).
Enfim... Chegando a esse dia, 30.06.2009, eu posso me dizer uma pessoa feliz...cheia de problemas, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes...

Citando grandes poeteiros: NÃO SEI DIZER O QUE MUDOU, MAS NADA ESTÁ IGUAL! O.o

Poderia também citar grandes nomes da literatura, dos grandes pensadores do século XX...mas não... Aprendi ao longo dessa minha nada mole vida que, eu não quero ter medo de parecer assim ou assado... não tenho que pensar em mim de fora pra dentro... Entendi por fim que EU TENHO MEU RITMO...espero que seja por muito tempo...um RITMO DE FESTA...na verdade tenho apenas essa vontade a longo prazo..Ser feliz pra sempre!!!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um problema



Tenho um grande problema em escrever: sou transparente demais. Escrevo e meus textos são crus e simples, terrivelmente compreensíveis. Não consigo não me mostrar demais, não consigo esmagar de palavras as entrelinhas, como disse a poeta. As entrelinhas não existem, ou suponho que não existam... Ou simplesmente, elas não acontecem num escrito meu.
É quase que como escrever no meu diário: como se apenas eu fosse ler aquilo, e por isso, estivesse tentando me compreender - obscuridade nesse caso seria tolice - e isso por vezes me aborrece.
Quando eu tento parecer mais prosaica, ou romântica, ou nostálgica, eu consigo. Mas o que me irrita é que eu não estou tentando parecer, eu estou sendo mesmo! Tenho que parar de ser tão intensa, dissimular é preciso.
Talvez caiba a comparação com a nudez. Escrevo como se tivesse me despindo pra um espelho, um gesto banal, não como se tivesse tirando a roupa sensualmente para um moço...rs
Bom, o que mais me conforta é saber que essa clareza toda que eu demonstro será proveitosa se um dia eu virar mesmo a Jornalista que eu sonho (ava) ser...

Isso seria falta de sexo?

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Quem é que surge
De algum lugar lá do céu
Se movimentando
Rapidinho como um vaga - lume
Se algum problema você encontrar
Quem é que aparece
Pra ajudar?


Os Ursinhos Carinhosos
Estão ai pra ajudar
Se precisar é só chamar
Os Ursinhos Carinhosos
Estão ai pra ajudar
Se precisar é só chamar
5,4,3,2,1

terça-feira, 31 de março de 2009


acho que a vida anda passando a mão em mim

a vida anda passando a mão em mim

acho que a vida anda passando

a vida anda passando

acho que a vida anda

a vida anda em mim

acho que há vida em mim

a vida em mim anda passando

acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo quem anda me comendo

é o tempo

na verdade faz tempo mas eu escondia

porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

se você tem que me comer

que seja com o meu consentimento

e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo

de lá pra cá ele tem sido bom comigo

dizem que ando até remoçando


Do livro Pensamento do Chão, de Viviane Mosé

quinta-feira, 26 de março de 2009

Blues do ano 2000 - CAZUZA na voz do MOSKA


Se até o ano 2000 o mundo não acabar
E eu estiver vivo na rua ou num bar
Eu vou pra sempre te esperar
Blues é assim, baby

Blues é assim
Blues é assim, baby
Blues é assim


Quando eu estiver velho, tarado e gagá
Com um copinho de cana eu vou lembrar
Do teu gingado, e os meus olhos vão brilhar
Blues é assim, baby

Blues é assim
Blues é assim, baby
Blues é assim


Mesmo que outras pessoas eu venha amar
E encontre com elas um pouco de paz
Eu vou pra sempre te esperar
Blues é assim, baby
Blues é assim
Blues é assim, baby
Blues é assim
Estou com uma tremenda saudade do Cazuza...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Me deu uma louca vontade de...

Escrever. Não me pergunte o motivo, óbvio é que eu não sei de nenhum. Parece que o impulso aconteceu comigo desta vez. Matar uma aula de vez em quando não dói, a não ser que eu ainda tivesse na quarta-série e minha mãe descobrisse. Certa vez eu matei aula no Ensino Médio e fiquei o horário inteiro escondida no banheiro feminino, foi aí que se deu o desassossego: a coordenadora entrou e me pegou no flagra e quem cabulou do lado de fora, na maior cara de pau, brincou de vôlei, baleada, tacobol, penalinha guerriô e esconde-esconde. (Sim, estamos falando de ensino médio.) E eu me fudí. Tudo bem, aprendí a lição.
Nunca mais cabulei aula. Agora estou fazendo-o e meu pai nem me perguntou porque que eu não fui pra Universidade, ele só me olhou aqui e capotou no quarto ao lado, e eu estou vendo-o daqui. (Vou tirar uma foto disso.) Cena boa essa de paz, mesmo que provisória e até um pouco instantânea, não deixa de liberar umas morfinas no cérebro da gente. (Olha eu pagando de cult)
Drugs, a cachorra começou a latir e eu esquecí o que eu ia digitar! Vou atender a porta.
Atendí, era só uma pessoa que eu não conheço perguntando pela minha mãe.
Voltando... ao assunto da Universidade né? Não fui porque não dava mesmo, uma amiga me ligou de manhã e disse que era pra eu levar o relatório da pesquisa, que eu não fiz. Agora maquino uma desculpa esfarrapada.
Ah, a propósito, eu tirei a foto. Acho que vou sentir saudades quando eu não puder mais ver meu pai dormindo de calça depois do almoço, mas calma Jamila, você ainda tem alguns meses por aí. (Não, eu não pretendo morrer.) Só acho que o meu tempo nessa cidade já deu, infelizmente. Vou sentir saudades desse lugar, apesar de saber que ele vai continuar uma bela bosta, vou sentir saudades. Desculpem, estou um pouco blasé hoje, maldição! Deve ser a tpm. Sou muito nova pra sentir cólicas e tpm.
Ainda tendo certeza que vou chorar longas noites com saudades, é o jeito. É melhor pensar que estou pra viver os melhores dias da minha vida, já que os piores já passaram. Ah não, tem a falta de dinheiro também... Droga!

Acredite, essa resma tava cheia há uma semana atrás; gastei toda a tinta da impressora imprimindo baboseiras. Engraçado como ele faz isso todo dia e quando se acorda, pergunta as horas, invariavelmente, mesmo tendo um relógio no pulso.
E o gran finale: A cachorra acaba de deixar um presente no chão do quarto.
Fim do impulso.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Alguns versos tristes

(Não, não é esse o nome do poema, na verdade eu não tenho a mínima noção de como seja o nome do poema.)

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda.

Às vezes eu me sinto assim, tentando encontrar o último momento da dor. Mas é aí que eu me engano redondamente, porque procurando o último momento, eu estou prolongando-a. Mas é algo que não tenho como fugir, eu só sinto, sem querer. E parece que tudo é pior quando as lembranças vem e mudam nossas feições repentinamente, tudo de repente se torna frio, mesmo com o pulsar violento do coração.
Não sei, queria eu ter a força de Neruda pra dizer que são as últimas linhas que escrevo por ele... Mas essas são as únicas que alguém possa ler.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Tolice

Vivendo sossegadamente,
E alguém diz: ainda chegará a tua hora
De encontrar o grande amor.
Espera, não demora.
E ficamos nesses termos,
Esperando e sempre esperando,
Com o coração apertado
Quando se conhece um novo rapaz.
As perguntas, enfim:
É esse que não vai me deixar dormir?
É com esse que sonharei?
Beijos escondidos recheados de paixão,
Que põe o corpo em sério perigo
De alguma violação?
De sentimentos enchem-se nosso viver,
E passam e alguns ficam por obrigação
E abalam tudo o que nos possa deixar em paz
E andamos sempre em algumas ledas ilusões,
Na expectativa do grande dia chegar,
E vivemos sempre nessa tola esperança de encontrar esse alguém.
E é tola justamente por esperarmos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Duas páginas de mim mesma

Bom, já é dia 1 de Fevereiro, mas só fazem duas horas, ainda não conta.

Fico me perguntando o que minha mãe pensa.
Realmente não sei. Sei tudo de como ela se comporta, e em cima disso, fico fazendo cálculos de como será o pensamento dela, mas no final de tudo, não posso afirmar nem desafirmar nada.
Me tomo como exemplo disso, eles podem até saber como eu me comporto, mas nem sonham de todos os meus verdadeiros pensamentos... por quê isso? Por quê esse abismo todo criado na nossa família? Quem foi que o construiu, por quê todo esse muro que nos cerca?
Estou tentando fazer desta noite algo produtivo, quer dizer, fazer pelo menos um dos trabalhos que eu preciso entregar nessa semana, por que acima de tudo, tenho certeza de que amanhã não farei absolutamente, eu me conheço, e prefiro perder essa noite de sono.
Mas por qual razão minha mãe simplesmente não consegue nem dormir, sem que eu durma - ou melhor, sem que esteja deitada naquela cama também? Por que não simplesmente, deitar e dormir o que tem direito, como o Pai está fazendo agora? (claro que não sem antes brigar também)
Esse tipo de coisa me incomoda tanto! Como pode ser que eu quero ser livre, se nem ao menos na minha própria casa eu posso passar uma noite acordada estudando? Será tão difícil assim pra eles saberem que eu não posso ser assim tão encabrestada?
O que eu tenho que fazer pra conseguir a minha independência? É isso que eu me pergunto... será preciso que eu case? Que vá embora dessa cidade? (Se bem que eu tenho a plena certeza também, de que mesmo à distância, o controle vai persistir e isso me dá sérios calafrios.)
São tantas as perguntas que eu me faço nessa hora... e delas eu julgo saber a resposta, sem , de fato, ter plena certeza, mas tudo me leva a crer que é apenas pra me manter no controle, pra eu ter na cabeça que ém que manda, pra eu saber que não sou adulta, pra eu saber que eu não sei de nada da vida, que não sou esperta o bastante, que ainda não viví nada e por isso não estou nem minimamente pronta pra nada.
É essa a sensação que eu tenho, que a maioria das ordens que eles me dão são apenas pra isso: pra me deixar cônscia disso. Pra eu escapar dessa minha segurança de que tudo depende de mim, pra eu parar de pensar que ninguém pode efetivamente me levar pra qualquer caminho, sem que antes eu queira também ir por ele.
Eu mudei. Mudei demais.
Talvez tenha mudado intensamente em um curto espaço de tempo e eu sei que isso também os assusta, mas eu não tenho tanta certeza de que eles saibam o tamanho e a profundidade dessa mudança, desse incômodo que eu sinto todos os dias que acontecem essas pequenas coisas, esses sutis avisos... ou será que apenas eu interpreto-os dessa forma?
Eu não sou mãe, mas posso apenas imaginar o quão difícil seja pros pais deixarem que seus filhos enveredem pelos caminhos que escolheram, eu tenho a sensação que os pais acham que eles estão abandonados à própria sorte à espera de algum predador que sinta os seus cheiros. Mas, por Deus, eles já deveriam estar se preparando pra isso e preparar suas crianças pra isso também, pra hora de tomar novos rumos.
O que eles querem que eu vire? Uma mulher de meia idade que viva com um marido medianamente fiel e que a trate medianamente bem e que more aqui numa ruazinha próxima e que todas as tardes traga os seus netos pra eles paparicarem? Sim, que disse que isso não é bom? É! É muito bom sim! Mas não é o melhor! Não suporto imaginar que minha juventude, minha força e meus sonhos podem se perder nessa vida, dessa mesma maneira, desse mesmo modo, sem nenhuma perspectiva, sem nada de novo no horizonte, apenas para garantir o conforto da segurança, da estabilidade... mas é tudo tão difícil pra mim quando eu acabo de ver minha mãe se acabando de chorar no quarto ao lado, apenas pela minha recusa em deitar no horário que ela mandou.
Minha cabeça se enche de porquês nesse momento. Como eu posso ter forças pros piores momentos da minha vida, como eu posso ultrapassar sozinha as montanhas, se os meus próprios pais me impedem e nem ao menos se dão conta disso? Achando que isso é pro meu bem?
Várias vezes me sentí como em uma redoma de vidro e pra onde quer que eu grite o som sempre vai voltar pra mim mesma, várias vezes achei que a qualquer momento eu poderia explodir e deixar que a fera da minha língua dominasse tudo em mim e plantasse o ódio mais uma vez.
Meu desespero é sem tamanho quando eu vejo todo o meu futuro, toda uma gama de possibilidades e de oportunidades que podem ser abertas pra mim - e que eu sou perfeitamente capaz de conquistá-las - podem acabar perdidas por aí, sem que eu posso usurfruir e eu viva apenas nessa vidinha que os meus pais levam, boa e medianamente confortável.
Acho às vezes que a vontade deles é que um dia eu acorde e veja que isso tudo é apenas frivolidade, apenas algo passageiro, temo mesmo que a cham em mim se apague e que eu acabe achando mesmo que o melhor pra mim é isso, isso que eu vejo todos os dias nesse lugar. Temo ficar imersa nesse pensamento e são nessas pequenas e cotidianas situações que eu me pego pensando nisso tudo e mais um pouco do que eu escreví. Infelizmente, aprendí desde cedo a controlar meus sentimentos e me cerrar em minhas emoções, aprendí a desde cedo a ser valente em muitas horas, mas nessas horas ser apenas uma covarde no meio da multidão. Não há como não se entristecer por isso.
Agora, que o choro dela está mais convulsivo e minha cabeça está doendo tanto que eu poderia espocar, vou mesmo dormir - ou pelo menos tentar - já são 3:15 da manhã e já não tenho mais forças pra "lutar". Mais uma covardia que alimenta o comportamento deles, mais uma vez que me dobro ante àquilo que eles julgam ser o certo.
Eu só vou dormir, mas parece que volto de uma batalha, da qual não fui vitoriosa.
Só espero que o dia de acordar e achar que tudo é frivolidade nunca chegue e que eu nunca me lembre disso com o mínimo de vergonha por ter sido tão ingênua. Isso nunca!
Talvez, a convicção (por que não a esperança?) de meus pais é que um dia eu tenha uma filha como eu. Eu já respondí uma vez: "pelo menos eu a entenderia".
Eu ainda não desistí.




(isso já faz um tempo que escreví, mas só agora quis postar, nem sei mesmo porquê. Taí, sem alteração de uma vírgula, pra quem ainda se lembrar de que o blog da liga ainda existe.)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Aula De Matemática - Tom Jobim


Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto dois corações a se integrar?
Se desesperadamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Poema de Natal - Vinicius de Moraes



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.


Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.


Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas


Nascemos, imensamente.



Para meus mui amados amiguinhos da LP e LJ, desejo um Natal muito gostoso, com uma ceia bem calórica e muito vinho!!!

ENGOV ANTES E DEPOIS... Sem esquecer algum anti-ácido também!!!!


JESUS NASCEU!!! VAMO COMEMORAR \0/



sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Para Dolores

Menina que me vê
Na moldura da janela
Olhando pra você
Como olha Monalisa
Olhar sem compromisso
Como um quê que se admira
Olhar sem perceber
Cega o verso desta lira





* Vi sua reclamação ali embaixo e tive que responder prontamente. Saiu isso aí.

Beijos :)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Acho muito chato esse BLOG paradão...



O que está havendo? Porque tanto marasmo por aqui? Vocês não têm pena de mim? que não posso acessar o Orkut no trabalho (um ABSURDO!!!) Eu adorava poder ler as coisas que vocês postavam aqui... (Vocês leia-se Agathona e JamYYY)

Enfim...



Sinto sua falta
Não posso esperar
Tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre...
Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à tôa no Pathé...
Que culpa a gente tem
De ser feliz
Que culpa a gente tem
Meu bem!
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não além...
Faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
A espera arde sem me aquecer...
Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
À noite eu quero descansar
Sair à tôa por aí...
Eh! Eh! Oh! Oh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Oh! Oh! Oh!
Eh! Eh!...
SKANK

segunda-feira, 6 de outubro de 2008


Qual o elogio que uma mulher adora receber?


Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.

Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.

Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,e ela decorará o seu número.

Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,da sua aura de mistério, de como ela tem classe:ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.

Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da suaperspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.

Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,que ela é um avião no mundo dos negócios.

Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,seu bom gosto musical.


Agora quer ver o mundo cair?


Diga que ela é muito boazinha.

Descreva aí uma mulher boazinha.

Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.

Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,cuida dos sobrinhos nos finais de semana.Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.

Nunca teve um chilique.Nunca colocou os pés num show de rock. É queridinha.Pequeninha.Educadinha.

Enfim, uma mulher boazinha.


Fomos boazinhas por séculos.

Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.

Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.

A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,crucifixo em cima da cama, tudo certinho.

Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando umdesejo incontrolável de virar a mesa.

Quietinhas, mas inquietas.Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.

Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,estrelas, profissionais.

Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.

Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.

Pitchulinha é coisa de retardada.

Quem gosta de diminutivos, definha.Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.

Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.As boazinhas não têm defeitos.

Não têm atitude.Conformam-se com a coadjuvância.PH neutro.Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,é o pior dos desaforos.

Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,apressadas, é isso que somos hoje.


Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.

As “inhas” não moram mais aqui.

Foram para o espaço, sozinhas.
Martha Medeiros

quarta-feira, 1 de outubro de 2008



Vê-la praticamente todos os dias...Todos os dias falar com ela...Ter uma amizade estreita de anos, e mesmo assim, não poder dizer: -Conheço-a muito bem!!!

Ela muda todos os dias, e é a mesma... Nunca será o tipo de mulher a quem se diga “ Continue sempre assim”...até porque, mesmo que fosse possível ela não quereria...enjoaria de si mesma!

Ao longo da semana pensei em coisas ótimas pra escrever pra ela nesse dia...não pude faze-lo...e aquelas coisas legais que eu pensei, frases bem construídas se perderam na minha mente anuviada... Resta dizer aquelas coisas que ela já sabe, ou espero que saiba...

Eu a amo muito...de um amor de irmã preferida... Quero tanto bem a ela quanto quero a mim mesma...Espero estar com ela em seus momentos cruciais e poder ser útil...tipo casamento...na alegria e na tristeza, sem aquele negócio da morte nos separando...

Posso dizer que praticamente todas as coisas boas que aconteceram comigo recentemente tiveram a ajuda dela...Mais que isso...ela me obriga a fazer o melhor pra mim... Me mostra as coisas mais interessantes... Desperta o gosto por café... Traz novos e deliciosos vícios pra vida diária... Traz os melhores amigos...

Ter lugar VIP no coração dela é uma grande alegria... Tornei-me sócia GOLD e não deixarei de ser jamais...ela tem a minha torcida organizada...Estarei sempre lá balançando os pompons *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/* *\0/*

PARABÉNS CHAY!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PEDAÇOS DE MIM - Martha Medeiros



Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos


Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão


Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci


Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar


Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei


Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo


Mas continuo vivendo e aprendendo.


sábado, 20 de setembro de 2008

Algumas palavras sobre Liberdade - Clarice Lispector



"Se eu me demorar demais olhando "Paysage aux oiseaux jaunes", de Klee, nunca mais poderei voltar atrás. Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. Assusta a visão talvez irremediável e que talvez seja a da liberdade. O hábito de olhar através das grades da prisão, o conforto de segurar com as duas mãos as barras, enquanto olho. A prisão é segurança, as barras, o apoio para as mãos. Então reconheço que a liberdade é só para muito poucos. De novo coragem e covardia se jogaram: minha coragem, inteiramente possível, me amedronta. Pois sei que minha coragem é possível. Começo então a pensar que entre os loucos há os que não são loucos. É que a possibilidade, que é verdadeiramente realizada, não é para ser
entendida. E à medida que a pessoa quiser explicar, ela estará perdendo a coragem, ela já estará pedindo; "Paysage aux oiseaux jaunes" não pede. Pelo menos calculo o que seria a liberdade. E é isso o que torna intolerável a segurança das grades; o conforto desta prisão me bate na cara. Tudo o que eu tenho aguentado – só para não ser livre"