quarta-feira, 30 de março de 2016
O luto
domingo, 27 de março de 2016
O tempo certo
Tenho a certeza de que, em algum momento, algo vai acontecer, sabe? O inesperado é meu amigo e a minha vida é uma coletânea de eventos improváveis. E sei, do fundo do meu coração, que quem tiver a coragem de se deixar ser amado por mim.... Ah... Esse vai conhecer a felicidade.
segunda-feira, 21 de março de 2016
A estranha consciência
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Cólera
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
"Caindo a noite, me lanço no mundo..."
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
O tal do diálogo
Update: A ironia deste texto é que, no último, mandei até o povo tomar no cu. hahaha Mas tô chamando pro diálogo, não pra ser o Dalai Lama.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Os meninos sujos
Eu ainda me lembro da primeira vez que me dei conta da pobreza. A escola que eu estudava mudou todos os livros didáticos e tivemos um livro de História mais atual. Eu devia estar na 4ª ou 5ª série do Ensino Fundamental, quando abrimos bem na página que tinha uma figura onde dois meninos negros estavam sentados no chão, sujos, com instrumentos nas mãos. Qual não foi a surpresa quando vi a seguinte legenda na foto: "Meninos quebram coco-babaçu em Bacabal, no Maranhão". Foi chocante. A pobreza sempre esteve ali, perto de mim, mas nunca ela tinha sido apontada dessa forma. Sempre caíamos nos clichês de achar que a miséria só existia na África. Um continente inteiro convertido em uma massa amorfa de gente que só tinha direito ao destino de passar fome e morrer de Aids. O malfadada única história. A versão de fora. Os missionários vinham dos países da África subsaariana pra minha igreja e atiçavam a minha imaginação de como era viver com o nada. O terrível era lá, só lá.
Desde então, a pobreza me doeu. Por que eu entendi que era pura e simplesmente uma questão de sorte, como disse antes. Que eu poderia estar facilmente no lugar daquela menina desgrenhada que, como fazem em Bacabal, saía da periferia caminhando pelos bairros da cidade, com um saco plástico, pra quem pudesse, colocasse um pouquinho de arroz ou qualquer outro mantimento não perecível. Foi nessa época que uma menina apareceu lá em casa e sem ninguém perceber, peguei um vestido meu e dei pra menina. Ela ficou sem acreditar. Peguei uma surra por causa disso.
E eu fico pensando o quanto nós, seres superiores da classe média pra frente, achamos que os nossos problemas são maiores dos que os dos quem vivem com menos que a gente. Só nós temos problemas existenciais. Só nós procuramos o sentido da vida. Só nós sabemos o que é certo. Só nós entendemos o significado das palavras rebuscadas. Nós não somos simples. Os nossos problemas não são simples. Os deles são. Eles são simples. Eles não têm aquela complexidade humana marota e ishperta que nós temos.
Antes de ontem conversei com uma senhora, em um interior do Piauí. Uma lavradora. Se tem uma coisa que ainda me anima nesse Jornalismo, é essa ponta da cadeia. Ela me contando que acorda cedo, de madrugada ainda, pra regar as plantas da horta pequena que tem. Que quando sai de lá, tá com o juízo o tempo todo "na minha hortinha". O sustento. Vieram todos esses pensamentos comparatórios. Não tive pena daquela mulher. Apesar da rotina dura, não sugeriu em nenhum momento que passava necessidade. Claro que ela estava maltratada pelo sol, claro que a rotina era dura. Mas, por acaso, a minha rotina também não é automatizada? Não estou o tempo todo preocupada com meu trabalho, mesmo que não queira? Não estou também eu com as mãos calejadas? Ela me disse que era feliz e eu acredito. Ninguém melhor pra dizer o que é do que a própria pessoa.
Não, não estou cometendo o crime de comparar diretamente a minha atividade com a dela. A minha situação é, obviamente, bem mais privilegiada, mas por uma série de outros motivos que vão muito além do meu esforço pessoal. Conversar com ela me lembrou que esse lance de simplicidade que o pessoal insiste em associar à pobreza é uma bobajada sem fim. Absolutamente NADA do que nós conversamos me deu qualquer indício pra intuir se aquela mulher vive uma vida simples ou não. Por mais que nós tenhamos conversado amigavelmente por um tempo e ela tenha me contado parte da sua rotina, eu tenho a total consciência de que não a conheço.
Se a pobreza não é boa nem simples, o estigma também não. O ceromano não vive sem rotular, identificar, eu sei. Superar as identidades... Sei lá. Seria uma superação de algo que eu nem posso definir. Porra, mas ficar nessa de pobre burro-bonzinho-vida-simples-e-boa-que-ah-se-eu-tivesse???? Vai tomar no olho do cu.
Com areia.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
O ano dos abraços
terça-feira, 24 de novembro de 2015
O amor descansado
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
"Eu sei, eu sei, eu sei..."
Chama. Meu pensamento chama. Em um minuto, trago a história de novo pra dentro de mim e a faço renascer, como se nunca tivesse ido. Eu olho pra ti, Lulu. Sou perfeitamente capaz de escutar tua voz, é só lembrar. Eu consigo te captar no olhar. Sinto o teu tato. Sinto o carinho que tu fazia nos meus cabelos. A voz brigando, brincando, amando. Eu te sei.
Por ti, há uma paz. Não sei explicar. Se tudo estiver bagunçado, volto ao refúgio do teu colo e lá me embalo. As músicas de amor que falam de saudades da paixão, já não me tocam por ela, que resiste. Tocam-me por ti, que existe. "Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você". Ainda que o mundo se acabe. Ainda que se apaguem os teus registros. Ainda que a tatuagem com a tua letra se desmanche. Eu sempre vou lembrar de você, Lulu. E sempre vou sentir a falta mais terrível do teu amor, mas serei eternamente grata por ter podido desfrutar dele.
Caminha em lembrança comigo, Lulu. Tá muito difícil. O mundo é mau e eu me sinto só. Às vezes eu tenho medo que uma chama, que não é a tua, se apague. Que eu me deixe envolver pelas agruras da vida e pare de olhar pra frente.
Improvável que isso aconteça, eu sei. Eu só escrevo isso porque eu me sinto cansada e o caso é que eu me sinto cada vez mais. O soldado cansado também há de lutar. Ele não é fraco, ele está apenas cansado. Lutar cansa.
Já que lembro, volto. E como entendo, sigo. E já que sigo, vou. E dou-me o descanso das risadas, dos amigos, da alegria no peito, das caminhadas, das canções e dos abraços.
Enquanto isso, o coração parece que vergou de novo, coitado. Mas, também... Pudera. Tantas batidas, tanta inclemência, tanta responsabilidade em bater tanto, de maneira tão forte, em cima do pobre...
As coisas são impermanentes. Eu, como meu coração e tu, pelo teu coração. Mas se somos impermanentes, não somos inconstantes.
Como alguém pode estar tão triste e, ao mesmo tempo, em paz? Eu não sei. Mas é essa a mistura que eu consigo explicar. Sempre haverá o amor. Lembrar disso, afaga.
Segura na minha mão e vamos.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Dias e dias depois
terça-feira, 6 de outubro de 2015
"...Mas eu sei que alguma coisa aconteceu"
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Os velhos da vida
E foi tranquilo e terrível por isso. Depois foi tranquilo de novo. Como sempre é.
sábado, 12 de setembro de 2015
Sobre o "vai passar"
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Os meninos
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Pra não dizer que eu te abandonei, Liga.
domingo, 2 de agosto de 2015
A grosseria
Deixei teu nome na cabeceira, antes de dormir
Coloquei-o embaixo da pia, ao lavar a louça
Fechei a porta do banheiro pra ele, quando entrei
Escondi-o dentro da última gaveta do guarda-roupa
Abandonei entre uns papéis velhos do armário
Deixei na lavanderia de molho durante dias
Varri, passei o rodo nele, pano de chão com desinfetante
Joguei pela janela do apartamento
Ficou na gaveta vazia de legumes da geladeira
Não paguei a passagem pro teu nome no ônibus
Botei a vassoura detrás da porta
Teu nome ficou lá
Triste, jogado pras cobras, abandonado
Me olhando com cara de cachorro molhado.
E depois de tantos maus-tratos
Creio, teu nome uma hora sairá pela porta
Mas apesar de todos os esforços
De toda a má-educação
Toda a grosseria e impolidez
Ainda não quero que vá.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Antes de Morfeu chegar, o que chega
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| "Minha querida, acorde que meu braço não tem mais uma gota de sangue!" |
Mais uma vez, dormi muito mal. Não que isso seja uma novidade. Já há muito tempo que eu não sei mais do que se trata esse fenômeno que acontece geralmente à noite com as pessoas, chamado pelos cientistas de "dormir". Ou demoro um tempo ridículo ou durmo e vou acordando sucessivas vezes durante a noite. Geralmente, quando a primeira coisa acontece, aí é tentar ficar de boa, já que já já que aparece uma lapada de pensamentos e eu faço a coisa que eu fui feita pra fazer: pensar até rachar meu cérebro. Eu dava certinho sendo aqueles gregos que não faziam porra nenhuma da vida, não davam um prego numa barra de sabão pra passar o dia todinho pensando nas grandes questões filosóficas. Porra, Platão, apaga esse sol que eu quero continuar dormindo na caverna, caralho!
PS: Senti incômodos depois que publiquei esse texto. Principalmente por ter rasgado no Facebook, coisa que não costumo fazer. Quem é leitor do blog (!) ou me conhece um pouco mais que superficialmente, pode entender melhor o que eu queria falar. A questão toda do texto era que, pelo menos na minha experiência, a felicidade é algo a ser trabalhado diariamente de maneira racional. Não é você simplesmente pesar os fatos que acontecem na vida e decidir que, por eles, você pode ser feliz. Se for por aí - se eu fosse por aí - teria muito mais motivos pra estar triste do que alegre, pra falar a verdade. Talvez seja preciso que você tenha que se enganar, rasgar a razão do desespero e ressignificar as coisas pra poder ter um pouco de paz.
Também me incomodei por não ter citado em momento algum que essa conquista de hoje não foi um esforço puramente pessoal. Depois que fui acometida pela síndrome do pânico, o processo de cura foi longo, custoso e principalmente doloroso. Mas eu não estava sozinha. Felizmente, a minha família, amigos e dois profissionais excelentes vieram em meu socorro. Aos trancos e barrancos, investimos dinheiro, tempo e paciência e pudemos ver os frutos da minha melhora. Obviamente que nem o melhor psiquiatra ou psicólogo do mundo poderia fazer um bom trabalho se, em primeiro lugar, eu não estivesse mais do que disposta a levar um tratamento à sério. Estava. E essa foi a minha parte da decisão de parar de sofrer daquela forma. Sei que falar disso é um assunto complicado. Tenho absoluta empatia por quem sofre de qualquer sofrimento psíquico e sei que a minha experiência não é universal. Muita gente sofre de mais de um transtorno e as dificuldades são enormes de acesso a um tratamento adequado. Dinheiro, apoio emocional, distâncias geográficas (eu, que morava no interior, tinha que me deslocar toda semana pra capital, longe, pra fazer as sessões) e profissionais verdadeiramente competentes (me meti em umas duas enrascadas antes de achar). Isso fora todo o estigma posto em cima de quem sofre, mesmo que esses tipos de doenças sejam cada vez mais comuns em pessoas cada vez mais jovens, como no meu caso. Aparecem pessoas muito bem intencionadas, mas elas estão submersas no senso comum. De repente, a tua doença é culpa tua. "Tenha força de vontade!", "Se você tivesse um pouco mais de fé...", dentre outras bobagens que nos dizem. Pra mim, a religião em que eu estava passou a me fazer mal. Meu transtorno foi atribuído a alguma espécie de possessão e eu fui submetida a coisas que é melhor pra minha sanidade nem lembrar, por pessoas - friso! - muito bem intencionadas (ou não, né? Quero crer que sim.)
Agora com algumas questões pontuadas, volto a repetir: minha felicidade foi conquista. Sentir-me bem com a minha existência hoje e já há algum tempo deu trabalho, mas valeu à pena. Não serei leviana com a minha história de não me sentir orgulhosa disso. Se pra outras pessoas, essa satisfação sempre foi uma coisa que rolou, ótimo. Ótimo mesmo. Tenho arrepios em pensar numa sociedade onde todos fôssemos doentes e incapazes de experienciar isso desde cedo.
